Os sintomas oculares da rosácea podem afetar bastante a qualidade de vida. Mas, antes de falarmos sobre eles, vamos conhecer melhor a rosácea.
A rosácea é uma doença inflamatória crônica e multifatorial da pele que atinge a região central da face (bochechas, queixo, nariz e centro da testa). A rosácea se desenvolve a partir de alterações nos sistemas imunológico e neurovascular.
Entre os sintomas da rosácea estão:
- Vermelhidão facial;
- Vasos sanguíneos visíveis
- Rubor
- Pele sensível
- Desconforto ocular
- Eritema
- Telangiectasias
- Pápulas
- Pústulas
- Fibrose
- Manifestações oculares.
Você sabia?
O termo “rosácea” deriva da palavra latina *rosaceous* (rosado), descrevendo a vermelhidão facial e nasal frequente associada à doença.
Quem pode ter rosácea?
Segundo um estudo recente, a prevalência global da rosácea é de aproximadamente 5,5%. Contudo, em algumas populações, a doença pode afetar até 22% a população. Ainda segundo o estudo, a rosácea ocular pode responder por até 50% ou mais dos casos de rosácea. (1)
A idade de início da rosácea varia entre 25 e 55 anos, ocorrendo com frequência semelhante em homens e mulheres. No entanto, as mulheres são diagnosticadas com rosácea mais frequentemente e tendem a receber o diagnóstico mais cedo. Uma das explicações é que as mulheres costumam cuidar mais da saúde por meio de consultas de rotina do que os homens. (1)
Por fim, a rosácea é mais comum em pessoas com de pele clara. A rosácea ocular representa entre 10% e 50% de todos os casos de rosácea cutânea e pode ocorrer mesmo na ausência de manifestações cutâneas. (1)
Quais os fatores de riscos da rosácea?
- Idade: Mais comum entre 30 e 60 anos.
- Sexo: Afeta com maior frequência as mulheres, embora os quadros mais graves ocorram em homens. Crianças também podem ser rosácea.
- Tipo de pele: Pessoas com pele, olhos e cabelos claros.
- Histórico familiar: Pessoas com parentes próximos que possuem a condição.
- Microbiota: Presença aumentada do ácaro Demodex folliculorum na pele.
Rosácea ocular: sintomas oftalmológicos podem surgir antes do que os da pele
A rosácea ocular caracteriza-se pela inflamação dos tecidos da superfície ocular, incluindo a margem palpebral (blefarite) e o filme lacrimal (manifestando-se como instabilidade, irritação ocular, olhos vermelhos, ressecamento e conjuntivite, entre outros sintomas).
Sinais e sintomas da rosácea ocular:
- Lacrimejamento
- Vermelhidão na conjuntiva
- Sensação de areia nos olhos
- Ardência;
- Ressecamento intenso da superfície ocular;
- Sensibilidade à luz;
- Visão turva;
- Pequenos vasos sanguíneos dilatados e aparentes nas bordas das pálpebras e na conjuntiva;
- Inchaço nas pálpebras.
Além desses sintomas, a rosácea ocular está associada à blefarite, olho seco, terçol e calázio de repetição, disfunção das glândulas de Meibômio e conjuntivite.
Até 20% dos pacientes com rosácea apresentam apenas sintomas oculares
A associação entre rosácea cutânea e rosácea ocular pode variar. Segundo um estudo recente, 53% dos pacientes com rosácea apresentam apenas sintomas na pele; 27% sintomas na pele e oculares ao mesmo tempo. Já em 20% dos pacientes com rosácea, as alterações oculares são predominantes. (1)
Rosácea tem relação com a blefarite?
Sim, a manifestação ocular mais comum da rosácea é a blefarite, seguida da disfunção da glândula meibomiana (MGD). Esses pacientes também podem ter terçol de repetição, calázio e problemas na córnea.
A blefarite é uma inflamação crônica que afeta as pálpebras. Ela pode ocorrer devido a uma infecção por ácaros ou bactérias, ou ainda pode ser secundária ao bloqueio das glândulas de Meibômio.
Entre os principais sintomas da blefarite estão:
- vermelhidão nas pálpebras;
- inchaço;
- coceira;
- ardência;
- formação de crostas;
- perda de cílios;
- olhos grudados pela manhã.
Por que a rosácea aumenta o risco de blefarite?
A blefarite é uma inflamação crônica que atinge as margens das pálpebras. Normalmente é resultado de um processo inflamatório crônico nas glândulas de Meibômio. Já a rosácea também é uma inflamação crônica, que altera o sistema imunológico. Com isso, há uma liberação de substâncias que alimentam a inflamação e podem agravar os sintomas da blefarite.
Outro aspecto é que os pacientes com rosácea apresentam um número muito alto de ácaros Demodex (D. brevis e folliculorum), principalmente nas regiões das pálpebras e cílios. Essa infestação também agrava a inflamação, pois esses micro-organismos liberam substâncias nocivas que provocam ainda mais inflamação nas pálpebras.
Terçol e calázio recorrentes podem ter relação com rosácea?
Sim. Ter um episódio isolado de terçol ou calázio é relativamente comum. O que merece atenção é quando essas alterações aparecem repetidamente. A disfunção das glândulas de Meibômio pode favorecer a obstrução glandular e a inflamação das pálpebras. Por esse motivo, calázios e terçóis recorrentes estão entre os sinais descritos na rosácea ocular.
Rosácea também causa olho seco?
Sim. O olho seco é uma condição muito comum e sua prevalência aumenta com a idade. Basicamente, trata-se de uma doença que altera o filme lacrimal. Um dos componentes da lágrima é a gordura produzida pelas glândulas de Meibômio, o meibum. Ele é responsável por evitar a evaporação rápida da lágrima. Isso garante uma boa lubrificação da superfície ocular.
Mas quando as glândulas estão obstruídas e inflamadas, ocorrem alterações na qualidade e na quantidade do meibum. Isso por sua vez pode causar sintomas de olho seco em indivíduos afetados pela rosácea.
Qual o tratamento para a rosácea ocular?
A rosácea é uma doença crônica que pode ter períodos de melhora e de piora. A rosácea cutânea deve ser tratada e acompanhada por um dermatologista.
Já os sintomas e problemas associados aos olhos, como a blefarite, terçol, calázio e olho seco devem ser acompanhados por um oftalmologista. Atualmente, a Luz Intensa Pulsada é um dos tratamentos mais indicados para pacientes com rosácea ocular.
A IPL, quando aplicada, gera um efeito térmico (calor) que ajuda a desobstruir as glândulas de Meibômio, reduz a inflamação e consegue reduzir ou até eliminar a infestação dos ácaros Demodex.
Uma curiosidade é que a luz intensa pulsada, primeiramente, foi usada para tratar as doenças de pele, como a rosácea. Durante as pesquisas, os médicos descobriram que os pacientes que passavam pelo tratamento também apresentavam melhora dos sintomas oculares. Com isso, foram feitos estudos e em 2019, a IPL foi aprovada para uso em doenças oftalmológicas.
A luz pulsada dói?
Não. A aplicação da luz intensa pulsada é um procedimento rápido e indolor. Ao todo, devem ser realizadas de três a quatro sessões, a cada 15 dias. Em geral, os pacientes apresentam remissão dos sintomas por tempo prolongado. A recomendação, para manter a doença controlada, é realizar uma sessão de manutenção, anualmente.
Saiba mais: leia mais sobre a Luz Intensa Pulsada
https://tatiananahas.com.br/2026/07/23/luz-intensa-pulsada-para-os-olhos-o-que-voce-precisa-saber/
Perguntas frequentes sobre rosácea ocular
Rosácea pode causar olho seco?
Sim. A rosácea ocular pode estar associada à disfunção das glândulas de Meibômio, comprometendo a estabilidade do filme lacrimal e favorecendo o olho seco evaporativo.
Rosácea pode causar blefarite?
Sim. A blefarite está entre as manifestações frequentemente observadas em pacientes com rosácea ocular.
Rosácea pode causar terçol?
A rosácea ocular pode estar associada à disfunção e obstrução das glândulas de Meibômio, favorecendo episódios de terçol e calázio. A recorrência dessas alterações merece investigação.
Posso ter rosácea nos olhos sem ter rosácea no rosto?
Sim. As manifestações oculares podem ocorrer sem sinais evidentes na pele e, em até 20% dos casos descritos na literatura, podem aparecer antes das manifestações na pele.
Rosácea ocular tem cura?
A rosácea é uma condição crônica. O tratamento busca controlar a inflamação, reduzir os sintomas, melhorar a saúde das pálpebras e da superfície ocular e prevenir recorrências e complicações.
Quem trata rosácea ocular: dermatologista ou oftalmologista?
O acompanhamento conjunto pode ser importante. O dermatologista atua no controle das manifestações cutâneas, enquanto o oftalmologista avalia e trata o comprometimento dos olhos, pálpebras e superfície ocular.
Artigo com supervisão da Dra. Tatiana Nahas – Oftalmologista Especialista em Plástica Ocular, Anexos Palpebrais e Vias Lacrimais – CRM 113070 SP – RQE 74945
Dra. Tatiana Rizkallah Nahas é médica oftalmologista especialista em Cirurgia Plástica Ocular (Oculoplástica) e Vias Lacrimais, com Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde também realizou residência em Oftalmologia, especializou-se em Cirurgia Plástica Ocular pela USP. Foi Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo por oito anos e integrou a equipe do Setor de Plástica Ocular do Wilford Hall Medical Center, nos Estados Unidos.
É membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) e da Sociedade Panamericana de Oculoplástica, além de atuar como palestrante e professora em cursos de formação e especialização médica.
Atende em consultório no Itaim Bibi, em São Paulo, e realiza procedimentos cirúrgicos em hospitais de referência da capital paulista. Veja aqui como chegar: https://share.google/CLnZD6829WqfqbnUN
Para mais informações, ligue para (11) 3071-342
Fontes:
(1) Mohamed-Noriega K, Loya-Garcia D, Vera-Duarte GR, Morales-Wong F, Ortiz-Morales G, Navas A, Graue-Hernandez EO, Ramirez-Miranda A. Ocular Rosacea: An Updated Review. Cornea. 2025 Apr 1;44(4):525-537. doi: 10.1097/ICO.0000000000003785. Epub 2025 Jan 14. PMID: 39808113; PMCID: PMC11872267.
