As lentes de contato, o olho seco e a blefarite têm uma relação bastante importante. Isso porque o uso prolongado desses dispositivos aumenta o risco de o paciente desenvolver tanto olho seco quanto blefarite.
Segundo a oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, as lentes de contato podem alterar a morfologia dos olhos e dos tecidos oculares, incluindo as glândulas de Meibômio. “Essas glândulas sebáceas são de extrema importância para os olhos, pois produzem a parte oleosa do filme lacrimal. Portanto, quando existe alguma alteração nessas estruturas, a produção e a secreção desse sebo podem ficar comprometidas. Como resultado, podem surgir tanto o olho seco quanto a blefarite”, explica.
O que é blefarite?
A blefarite é uma inflamação crônica nas margens palpebrais (aquela “bordinha” em que muitas mulheres costumam passar lápis de olho). Nessa região, existem diversas glândulas meibomianas responsáveis por produzir e secretar o sebo de forma constante.
“Contudo, como citamos acima, problemas nessas glândulas podem alterar esse processo, como, por exemplo, uma obstrução nos ductos. Com isso, há uma redução na quantidade e na qualidade do sebo no filme lacrimal. A partir dessa diminuição da camada oleosa, também surgem sintomas de olho seco”, explica a oftalmologista.
Para que serve o filme lacrimal?
Agora, vamos entender melhor o filme lacrimal, popularmente chamado de lágrima.
“Cada mucosa do nosso corpo tem uma substância específica para mantê-la saudável. Na boca, temos a saliva; nos olhos, o filme lacrimal. Ele é formado por água, muco e gordura, sendo essencial para nutrir e manter a superfície ocular lubrificada”, conta a Dra. Tatiana.
Entretanto, alterações nas glândulas sebáceas comprometem o filme lacrimal e, como consequência, o paciente pode desenvolver sintomas de blefarite e olho seco.
Sinais e sintomas da blefarite
- Vermelhidão ocular
- Sensação de corpo estranho nos olhos
- Coceira
- Irritação
- Secura ocular
- Lacrimejamento
- Perda de cílios
- Crostas na base dos cílios (“caspas nos cílios”)
- Acordar com os olhos “grudados” devido ao acúmulo de secreção
- Inchaço e vermelhidão nas pálpebras
Blefarite pode estar presente em até metade dos usuários de lentes de contato
A blefarite é muito comum em pessoas que usam lentes de contato há muitos anos. Estudos apontam que até metade delas pode desenvolver a doença. O olho seco é ainda mais frequente e pode afetar uma porcentagem ainda maior desses usuários.
A Dra. Tatiana alerta que, quanto maior o tempo de uso, maior é o risco. “Por esse motivo, quando o paciente tem diagnóstico de blefarite e/ou olho seco, é preciso ter bastante cautela ao trocar os óculos pelas lentes de contato.”
“Por outro lado, é importante esclarecer que as lentes de contato não causam blefarite nem olho seco, mas aumentam o risco de desenvolver essas condições. Além disso, alguns estudos apontam que pacientes com blefarite apresentam menor tolerância ao uso de lentes de contato e vice-versa”, reforça a médica.
Lentes de contato podem alterar a microbiota da região palpebral
Além das alterações nas glândulas meibomianas, o uso prolongado das lentes pode modificar a microbiota da região, favorecendo o crescimento descontrolado de microrganismos, como ácaros Demodex e bactérias”, relata a Dra. Tatiana.
Outra questão ocorre quando a pessoa utiliza lentes de contato sem retirá-las para dormir ou permanece vários dias com elas. Esse hábito compromete a resposta inflamatória natural e a lubrificação da superfície ocular — fatores já prejudicados pela blefarite.
Recomendações para quem tem blefarite ou olho seco e usa lentes de contato
- Suspenda o uso de lentes durante crises agudas de blefarite;
- Mantenha higiene rigorosa das pálpebras e das lentes;
- Converse com o oftalmologista sobre o tipo de lente mais adequado (em alguns casos, lentes gelatinosas podem ser menos indicadas que lentes rígidas);
- Alterne o uso com óculos para permitir o descanso da superfície ocular.
Não use lentes de contato sem prescrição médica
Uma recomendação importante é evitar o uso de lentes de contato por conta própria. Para substituir os óculos, é fundamental procurar um oftalmologista — especialmente se o paciente já tiver diagnóstico de olho seco ou blefarite.
Tratamento da blefarite e do olho seco com luz intensa pulsada
Para pacientes com blefarite e olho seco, especialmente em casos com sintomas frequentes, uma opção é a Luz Intensa Pulsada (IPL).
“Trata-se de uma energia térmica que atua diretamente na inflamação, reduzindo os vasos que alimentam a cascata inflamatória. Além disso, diminui a proliferação de microrganismos e fluidifica as secreções acumuladas nas glândulas de Meibômio”, explica a Dra. Tatiana.
Após a aplicação, o oftalmologista realiza a remoção manual das secreções, permitindo que o funcionamento das glândulas seja restabelecido. O tratamento consiste em 3 a 4 sessões realizadas em consultório, com necessidade de manutenção anual.
Considerações finais
Como vimos, as lentes de contato aumentam o risco de desenvolver blefarite e olho seco. “Caso o paciente já tenha essas condições, elas podem se agravar com o uso de lentes. Por isso, é fundamental adotar cuidados rigorosos com a higiene das lentes e do estojo, além de respeitar o tempo de uso ao longo do dia”, finaliza a Dra. Tatiana.
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Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423
Matéria produzida pela jornalista pela Leda Maria Sangiorgio MTB 30.714 É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695.
