Doenças oculares na menopausa – Saiba quais são

Doenças oculares na menopausa – Saiba quais são

Você sabia que há doenças oculares na menopausa que tem relação com essa fase da vida da mulher? Nesse período, as mulheres têm um risco maior de desenvolver olho seco, blefarite, calázio e terçol de repetição.

Essas doenças oculares na menopausa estão ligadas às alterações hormonais, como a queda do estrogênio e da progesterona.

Mas, antes de falarmos mais sobre as doenças oculares na menopausa, é importante contextualizar a menopausa na realidade brasileira.

Até 17 milhões de mulheres no Brasil enfrentam a menopausa

Segundo estimativas baseadas em dados do IBGE, o Brasil vive hoje uma importante transição demográfica feminina: entre 9 e 17 milhões de mulheres estão na menopausa ou no climatério, fase que marca o fim do período reprodutivo e pode trazer impactos significativos na saúde e na qualidade de vida.

Portanto, considerando que a menopausa ocorre, em média, por volta dos 48 anos no Brasil, esse contingente representa uma parcela expressiva da população — comparável à de países inteiros — e evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre diagnóstico, acolhimento e acesso a tratamentos adequados para essa fase da vida.

Para além disso, a menopausa traz problemas de saúde que vão além da área ginecológica. Na verdade, o fim da vida reprodutiva feminina significa uma série de mudanças que podem ocasionar doenças sistêmicas, ou seja, em vários sistemas e órgãos do corpo humano, como o sistema visual. Contudo, infelizmente, pouco se fala disso.

Doenças oculares na menopausa – Qual a relação dos olhos com os hormônios?

Segundo a oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais, a relação da menopausa com doenças oculares reside no fato de que, apesar do estrogênio e da progesterona serem hormônios sexuais, eles também participam do funcionamento das glândulas lacrimais e sebáceas dos olhos, chamadas de glândulas de Meibômio.

“As glândulas meibomianas produzem o meibum, substância oleosa que compõe o filme lacrimal. Esta camada lipídica da lágrima é essencial para lubrificar e nutrir a superfície ocular. Na menopausa, as alterações na produção e secreção dos hormônios sexuais podem resultar em mudanças na produção e secreção do meibum”, explica a especialista. 

“Adicionalmente, a reposição hormonal, principalmente de testosterona, aumenta a produção de sebo, podendo acarretar obstrução dos ductos das glândulas sebáceas. Todos esses fatores juntos elevam a chance de a mulher desenvolver a síndrome do olho seco, bem como inflamação crônica nas glândulas meibomianas e nas margens palpebrais, a chamada blefarite”, aponta Dra. Tatiana.

Menopausa e olho seco: por que o risco aumenta?

Acima de tudo, a menopausa tem relação direta com o aumento do risco de síndrome do olho seco. A razão é que a condição leva à redução significativa da produção dos hormônios sexuais, como já dissemos acima. Com isso, há alterações na lubrificação e no equilíbrio da superfície ocular.

“Sendo assim essa alteração hormonal pode afetar tanto a produção quanto a qualidade da lágrima, além de favorecer inflamações nos olhos. Portanto, as mulheres na menopausa apresentam com maior frequência sintomas como ardência, irritação, sensação de areia e visão turva, tornando o olho seco uma condição comum nessa fase da vida”, comenta Dra. Tatiana.

Blefarite pode atingir mais da metade das mulheres na pós-menopausa

A blefarite é uma inflamação crônica que atinge as pálpebras. Há uma forte relação entre o olho seco e a blefarite. Ou seja, essas duas doenças oculares costumam aparecer juntas. Estima-se que 66% a 80% das mulheres pós-menopausa apresentam sintomas. Em alguns estudos clínicos, chega a 70% ou mais.

Entre os principais sintomas da blefarite estão:

  • Coceira
  • Vermelhidão ocular
  • Pálpebras inchadas e vermelhas
  • Sensibilidade à luz
  • Perda de cílios
  • Ardência no olho
  • Formação de crostas nas margens das pálpebras, que lembram a caspa que ocorre no couro cabeludo
  • Olhos grudados e com secreção acumulada pela manhã

Vale lembrar que na presença também do olho seco, a sensação de secura ocular pode ocorrer junto às demais manifestações descritas acima.

Terçol e calázio de repetição também é altamente prevalente na menopausa

O terçol e o calázio de repetição são outras doenças oculares comuns na menopausa. Nesse caso, o risco e a ocorrência mais frequente estão associados à terapia de reposição hormonal, especialmente quando há uso de testosterona.

“O uso da testosterona aumenta a produção de sebo, podendo resultar na obstrução dos ductos das glândulas sebáceas. Portanto, a mulher pode apresentar vários episódios de calázio, como também terçol”, comenta Dra. Tatiana.

Tratamento para doenças oculares na menopausa – Conheça a luz intensa pulsada

A luz intensa pulsada (IPL) é hoje um dos principais tratamentos para controlar a blefarite, o olho seco, calázio e terçol de repetição. Uma das vantagens mais importantes da luz pulsada, comparada ao tratamento clínico, é sua eficácia em longo prazo. O outro efeito é que os sintomas melhoraram logo após a primeira sessão. 

A aplicação da luz pulsada é tranquila, realizada em consultório. Ao todo são três sessões, com intervalos de 15 dias. Recomenda-se uma sessão anual de manutenção.

Como a luz pulsada trata doenças oculares na menopausa

A luz pulsada é uma energia luminosa que se reverte em calor (energia térmica). “O calor reduz a inflamação, pois tem um efeito direto no sistema vascular envolvido na blefarite. De uma forma mais simples, podemos dizer que o calor cauteriza e coagula os capilares, que são vasos sanguíneos bastante finos”, comenta Dra. Tatiana. 

Outro efeito essencial da luz pulsada é a redução de ácaros e bactérias que pioram a blefarite. Isso mesmo! Normalmente, a blefarite pode abrir portas para uma infestação desses micro-organismos que pioram a inflamação.

Por fim, após a aplicação, o oftalmologista faz a expressão das glândulas sebáceas para desobstruir os ductos. Isso normaliza a produção e a secreção do meibum, levando à melhora da função das glândulas sebáceas”, aponta a oftalmologista.

Conclusão

A menopausa afeta milhões de mulheres no Brasil. Para além de problemas ginecológicos, nessa fase as mulheres enfrentam diversos problemas de saúde, como as doenças oculares na menopausa. Por isso, a recomendação é que mulheres na menopausa procure um oftalmologista para consultas de rotina. Na presença dos sintomas do olho seco, blefarite, além de calázio e terçol, também é importante consultar um oftalmologista”, finaliza Dra. Tatiana.

Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais. A médica atende em seu consultório no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.

O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.

Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423

Matéria produzida pela jornalista pela Leda Maria Sangiorgio MTB 30.714 É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

Compartilhe no:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CAPTCHA ImageChange Image