Blefarite em crianças é a inflamação crônica das margens das pálpebras, causada por alterações nas glândulas de Meibômio — estruturas responsáveis por produzir o meibum, componente oleoso do filme lacrimal que protege e lubrifica a superfície ocular. É uma condição pouco conhecida na infância, mas responsável por até 15% dos encaminhamentos de crianças ao oftalmologista, costumando surgir entre os 3 e 5 anos de idade.
Blefarite – Conheça essa inflamação crônica nas pálpebras
A blefarite é uma doença oftalmológica que se caracteriza por uma inflamação crônica nas margens das pálpebras. Em geral, ocorre devido a alterações nas glândulas sebáceas palpebrais, as glândulas de Meibômio. Essas estruturas produzem e secretam o meibum, sebo que compõe uma das camadas do filme lacrimal. Sendo assim, o meibum é crucial para manter a superfície ocular nutrida e lubrificada.
Em algumas pessoas, inclusive em crianças, podem ocorrer problemas no funcionamento das glândulas meibomianas. Isso, por sua vez, pode alterar a qualidade e a quantidade do meibum, além de obstruir os ductos glandulares. Como resultado, o paciente pode desenvolver a blefarite.
A blefarite é uma das doenças oculares mais comuns em toda a população. Entretanto, é mais prevalente em adultos, especialmente a partir dos 50 anos. Por outro lado, também afeta crianças e adolescentes. Dessa forma, é importante que os pais fiquem atentos aos sinais e sintomas da blefarite.
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Blefarite em crianças é comum?
Não há consenso sobre a prevalência exata da blefarite na população pediátrica, mas os dados disponíveis indicam que a condição é relevante:
Em levantamento brasileiro com crianças de 0 a 12 anos, as doenças de pálpebra (blefarite, calázio e obstrução das vias lacrimais) ocuparam o segundo lugar entre as causas oculares mais frequentes, atrás apenas das doenças de córnea e conjuntiva.
É motivo de encaminhamento ao oftalmologista em 12% a 15% dos casos pediátricos.
Uma série de casos em clínica de córnea pediátrica nos Estados Unidos identificou blefaroconjuntivite em 15% das crianças avaliadas.
Em que idade a blefarite costuma aparecer
A blefarite em crianças costuma se desenvolver entre os 3 e 5 anos de idade. O diagnóstico, no entanto, costuma ser tardio — muitas vezes atrasando de 1 a 3 anos —, já que a condição não é amplamente conhecida e seus sinais podem passar despercebidos pelos pais ou ser confundidos com outras doenças oculares.
Sinais e sintomas da blefarite em crianças
A blefarite pode ser leve e assintomática, ou evoluir para um quadro mais intenso, capaz de afetar a qualidade de vida e a visão da criança. Os principais sinais incluem:
- Vermelhidão e inchaço leve nas margens das pálpebras;
- Lacrimejamento, coceira e ardor nos olhos;
- Formação de crostas na base dos cílios;
- Pálpebras grudadas ao acordar;
- Perda de cílios;
- Episódios recorrentes de terçol e calázio.
Nos quadros mais severos, a blefarite pode evoluir para blefaroceratoconjuntivite, inflamação que atinge simultaneamente pálpebras, conjuntiva e córnea, exigindo acompanhamento oftalmológico mais próximo.
Fatores de risco da blefarite em crianças
Os fatores de risco da blefarite em crianças são, em geral, semelhantes aos observados em adultos, com algumas particularidades da infância:
| Fator de risco | Como se manifesta |
| Staphylococcus aureus | Bactéria comum na pele e fossas nasais que pode colonizar a margem palpebral. |
| Dermatite seborreica | Presente em até 95% dos pacientes com blefarite; em bebês, é conhecida como crosta láctea. |
| Rosácea infantil | Doença de pele associada ao surgimento de blefarite. |
| Higiene palpebral deficiente | Favorece o acúmulo de secreções e proliferação bacteriana. |
| Ácaros Demodex | Infestação associada a casos de blefarite crônica. |
Blefarite em crianças e dermatite seborreica – O que você precisa saber
A dermatite seborreica, uma das causas mais associadas à blefarite infantil, é bastante prevalente nos primeiros meses de vida. Caracteriza-se por inflamação crônica da pele, com descamação e formação de placas oleosas, principalmente no couro cabeludo — quadro popularmente chamado de crosta láctea, que também pode atingir sobrancelhas e dobras de pele.
Estudos apontam duas possíveis origens para essa condição em bebês: a proliferação do fungo Malassezia, que libera substâncias inflamatórias, ou a estimulação das glândulas sebáceas do recém-nascido por hormônios maternos ainda circulantes.
Blefarite x terçol x calázio: qual a diferença?
Crianças com blefarite tendem a apresentar terçóis e calázios com mais frequência, já que a disfunção das glândulas meibomianas favorece obstruções e infecções secundárias.
| Condição | O que é | Duração |
| Blefarite | Inflamação crônica da margem palpebral | Persistente, com fases de melhora e piora |
| Terçol (hordéolo) | Infecção aguda e localizada em uma glândula da pálpebra | Dias, geralmente autolimitado |
| Calázio | Obstrução crônica de uma glândula de Meibômio, sem infecção ativa | Semanas a meses |
Como é feito o tratamento da blefarite em crianças
O tratamento da blefarite em crianças começa pela higiene da região palpebral, com o objetivo de manter as pálpebras limpas e livres de secreções. As recomendações incluem:
- Aplicar compressas mornas para amolecer as secreções e crostas
- Fazer a limpeza com água filtrada ou fervida (nunca água boricada ou soro fisiológico nos olhos)
- Usar, se indicado pelo oftalmologista, um pouco de xampu neutro infantil diluído na limpeza
Quando a blefarite não melhora com a higiene adequada, ou a criança passa a apresentar terçol e calázio de repetição, é indicado procurar um oftalmologista para avaliação mais detalhada. Em casos mais severos, outras abordagens terapêuticas podem ser necessárias, sempre sob orientação médica.
Importante: a luz intensa pulsada (IPL), recurso validado para blefarite em adultos relacionada à disfunção das glândulas de Meibômio, não possui protocolos estabelecidos para uso em pacientes pediátricos. Em crianças, o tratamento permanece baseado em higiene palpebral e, quando necessário, acompanhamento médico específico.
Perguntas frequentes sobre blefarite infantil
Blefarite em criança tem cura?
Não existe uma cura definitiva, já que a blefarite tende a ser uma condição crônica, com fases de melhora e piora. O controle adequado, com higiene palpebral regular e acompanhamento oftalmológico, mantém a criança confortável e evita complicações.
Blefarite infantil pode afetar a visão da criança?
Sim, em casos mais severos. Quando não tratada, pode evoluir para blefaroceratoconjuntivite, com envolvimento da córnea, o que exige atenção médica mais próxima.
Blefarite e terçol são a mesma coisa?
Não. A blefarite é uma inflamação crônica da margem palpebral, enquanto o terçol é uma infecção aguda e localizada. Crianças com blefarite, no entanto, tendem a apresentar terçóis com mais frequência.
Quando levar a criança ao oftalmologista?
Sempre que houver vermelhidão persistente, crostas nos cílios, pálpebras grudadas ao acordar, ou episódios recorrentes de terçol e calázio.
Artigo com supervisão médica da Dra. Tatiana Nahas, oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais. CRM 113070 Rqe 74.945
Atualizado em 04.08.2026
Fontes:
American Academy of Ophthalmology — Pediatric Eyelid Margin Disease: Blepharokeratoconjunctivitis and Chalazia
https://www.aao.org/education/disease-review/pediatric-eyelid-margin-disease-blepharokeratoconj
Blepharitis Preferred Practice Pattern® (AAO)
https://www.aao.org/Assets/92ce1735-7c83-45f0-8a58-72997bfc2375/638442007744570000/blepharitis-ppp-2-22-24-pdf
PubMed — Blepharokeratoconjunctivitis in children (Hammersmith et al.)
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16344437/
ScienceDirect — Clinical spectrum of pediatric blepharokeratoconjunctivitis (Gupta et al.)
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1091853110004659
Annals of Eye Science — Pediatric blepharokeratoconjunctivitis: a narrative review of the literature
https://aes.amegroups.org/article/view/8749/html
ScienceDirect Topics — Blepharitis: an overview
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/blepharitis
SciELO — Prevalência de doenças oculares e causas de comprometimento visual em crianças atendidas em um Centro de Referência em Oftalmologia do centro-oeste do Brasil
https://www.scielo.br/j/rbof/a/djFXXXNmXyHsZhQtGL3qPZj/?format=html&lang=pt
Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais. A médica atende em seu consultório no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
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