Retinol pode causar blefarite e olho seco? Entenda os riscos para as pálpebras

Retinol pode causar blefarite e olho seco? Entenda os riscos para as pálpebras

O retinol é um dos ingredientes mais comuns em fórmulas de cremes e outros cosméticos para combater os sinais do envelhecimento. Esse ácido promete resultados como melhorada textura da pele, suavização de linhas finas e estimulação da renovação celular. Graças a todos esses benefícios, produtos com retinol já fazem parte da maioria das mulheres que adotaram uma rotina de skincare.

Entretanto, o uso de retinol e de outros retinoides na região dos olhos merece atenção. Isso porque as pálpebras possuem uma pele extremamente fina e delicada, além de estruturas essenciais para a proteção e lubrificação dos olhos. Por isso, a aplicação de produtos com retinol na região ao redor dos olhos, incluindo as pálpebras, não é recomendada.

O que é retinol e por que ele é tão utilizado no skincare?

O retinol é um derivado da vitamina A pertencente à família dos retinoides. Sua utilização em produtos dermatológicos está associada à renovação celular e à melhora de sinais do fotoenvelhecimento. Entre os principais benefícios estão a redução da aparência de linhas finas, a melhora da textura da pele e a uniformização do tom cutâneo.

Entretanto, o retinol também pode provocar efeitos adversos, principalmente durante as primeiras semanas de uso ou quando aplicado em concentrações elevadas. Entre esses efeitos estão vermelhidão, descamação, ardência, sensibilidade e ressecamento na pele.  Quando esses efeitos acontecem na região das pálpebras, o desconforto pode ser bastante intenso.

Existe alguma relação do retinol com a blefarite ou olho seco?

Não existem evidências clínicas suficientes para afirmar que o retinol causa diretamente blefarite ou olho seco. Entretanto, seu uso inadequado próximo aos olhos pode provocar irritação da pele palpebral, dermatite de contato e sintomas que podem ser confundidos com manifestações da blefarite e do olho seco.

A blefarite é uma inflamação crônica das bordas das pálpebras, associada a diferentes fatores, como alterações das glândulas de Meibômio, dermatite seborreica, rosácea e proliferação de Demodex. Por isso, é fundamental diferenciar uma reação irritativa causada por um cosmético de um quadro de blefarite propriamente dito.

Em pessoas que já apresentam blefarite e olho seco, produtos irritantes podem aumentar o desconforto e dificultar os cuidados com a região.

Qual é a relação entre retinol, glândulas de Meibômio e olho seco?

As glândulas de Meibômio estão localizadas nas pálpebras e produzem o meibum, uma secreção rica em lipídios que participa da camada externa do filme lacrimal. Essa camada ajuda a reduzir a evaporação da lágrima e contribui para a estabilidade da superfície ocular.

Quando essas glândulas não funcionam adequadamente, pode ocorrer a chamada disfunção das glândulas de Meibômio (DGM), uma das principais causas do olho seco evaporativo. Estudos experimentais demonstraram que determinados retinoides podem interferir no funcionamento das células dessas glândulas.

Além disso, o uso de isotretinoína oral, medicamento empregado no tratamento de casos específicos de acne, está associado a alterações das glândulas de Meibômio e sintomas de olho seco.

Entretanto, é necessário fazer uma distinção importante: os efeitos da isotretinoína oral não podem ser automaticamente atribuídos aos cosméticos com retinol aplicados na pele.

Ainda são necessários estudos clínicos mais robustos para determinar se o retinol tópico, nas concentrações habitualmente utilizadas em cosméticos, pode provocar disfunção das glândulas de Meibômio.

Quais sintomas podem indicar irritação ocular associada ao skincare?

Pessoas que utilizam produtos com retinol próximo aos olhos devem observar o aparecimento de sintomas como:

  • Vermelhidão e descamação das pálpebras;
  • Ardência ou sensação de queimação;
  • Coceira e sensibilidade na pele ao redor dos olhos;
  • Lacrimejamento e desconforto ocular;
  • Sensação de ressecamento ou areia nos olhos.

Esses sintomas podem indicar uma reação ao produto ou a presença de alguma condição ocular que precisa ser avaliada.

Quem tem blefarite ou olho seco pode usar retinol?

Ter blefarite ou olho seco não é uma contraindicação para uso de produtos com retinol. Mas, pessoas com essas doenças oculares precisam adotar alguns cuidados. O ideal é sempre conversar com o oftalmologista e com o dermatologista, antes de usar produtos com retinol e outros ácidos.

A escolha do produto, sua concentração, a frequência de aplicação e a região de uso devem ser avaliadas individualmente. Também é importante considerar que nem todos os produtos formulados para a área dos olhos são adequados para todas as pessoas. Pacientes com rosácea ocular, dermatite palpebral ou histórico de reações a cosméticos podem necessitar de orientações específicas.

Saiba mais: Entenda melhor o que é blefarite, quais as causas, sintomas e como funciona o tratamento nos artigos completos em nosso BLOG

https://tatiananahas.com.br/2024/09/17/tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-a-luz-intensa-pulsada-para-blefarite/

https://tatiananahas.com.br/2024/09/17/o-que-e-blefarite-sinais-sintomas-e-tratamento/

Como usar produtos com retinol sem prejudicar a saúde dos olhos?

Algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de irritação:

1. Respeite a área de aplicação indicada pelo fabricante. Produtos formulados para o rosto não devem ser automaticamente utilizados nas pálpebras ou junto à linha dos cílios.

2. Evite o contato com os olhos e com a margem palpebral. Essa região abriga as aberturas das glândulas de Meibômio e exige cuidados específicos.

3. Não aumente a frequência ou a concentração por conta própria. O uso excessivo pode intensificar a irritação cutânea.

4. Observe qualquer mudança após iniciar um produto. Ardência persistente, descamação intensa ou desconforto ocular merecem atenção.

5. Procure avaliação médica se surgirem sintomas. A suspensão temporária do cosmético pode ser necessária até que a causa seja esclarecida.

A importância da avaliação com um oftalmologista especialista em pálpebras

Nem toda vermelhidão nas pálpebras é blefarite e nem toda ardência ocular está relacionada ao uso de cosméticos. A avaliação oftalmológica permite examinar as margens palpebrais, as glândulas de Meibômio, o filme lacrimal e a superfície ocular para identificar possíveis alterações.

Dependendo do diagnóstico, o tratamento pode envolver cuidados específicos de higiene palpebral, lubrificação ocular, controle da inflamação e outras terapias individualizadas.

Cuidar da aparência das pálpebras também significa preservar sua função. Afinal, a saúde da região periocular é essencial para a proteção dos olhos, a qualidade da lágrima e o conforto visual.

Perguntas frequentes sobre retinol e saúde ocular

Retinol pode provocar olho seco?

O uso de determinados retinoides pode estar associado a desconforto ocular e ressecamento. Entretanto, os riscos dependem da formulação, concentração e forma de utilização. Não é correto afirmar que todos os cosméticos com retinol provocam olho seco.

Quem tem blefarite deve evitar cremes antienvelhecimento?

Não necessariamente. O ideal é evitar produtos irritantes durante crises e procurar orientação médica para escolher formulações adequadas à sensibilidade das pálpebras.

Retinol pode danificar as glândulas de Meibômio?

Há evidências de alterações nessas glândulas associadas à isotretinoína oral. Para o retinol cosmético tópico, ainda não está estabelecido que o uso habitual cause danos estruturais às glândulas.

Sobre Dra. Tatiana Nahas – CRM 113070 SP – RQE 74945

Dra. Tatiana Rizkallah Nahas é médica oftalmologista especialista em Cirurgia Plástica Ocular (Oculoplástica) e Vias Lacrimais, com Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde também realizou residência em Oftalmologia, especializou-se em Cirurgia Plástica Ocular pela USP. Foi Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo por oito anos e integrou a equipe do Setor de Plástica Ocular do Wilford Hall Medical Center, nos Estados Unidos.

É membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) e da Sociedade Panamericana de Oculoplástica, além de atuar como palestrante e professora em cursos de formação e especialização médica.

Atende em consultório no Itaim Bibi, em São Paulo, e realiza procedimentos cirúrgicos em hospitais de referência da capital paulista.

Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423

Referências científicas

  1. Potential Harms of Ocular and Periorbital Topical Vitamin A Application: A Systematic Review and Meta-Analysis. Revisão sistemática e metanálise.
  2. Zakrzewska A. et al. (2023). The Effect of Oral Isotretinoin Therapy on Meibomian Gland Characteristics in Patients with Acne Vulgaris. Ophthalmology and Therapy.
  3. Düzgün E., Özkur E. (2022). The effect of oral isotretinoin therapy on meibomian gland morphology and dry eye tests. Journal of Dermatological Treatment.
  4. Anderson A., Gebauer K. (2014). Periorbital allergic contact dermatitis resulting from topical retinoic acid use. Australasian Journal of Dermatology.

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