As glândulas de Meibômio são invisíveis a olho nu e ficam nas pálpebras. Apesar de invisíveis, elas podem ser responsáveis por diversas condições e doenças, como a blefarite e o olho seco.
Por isso, hoje vamos falar sobre as glândulas de Meibômio, seu funcionamento e alterações que prejudicam a saúde ocular.
Você provavelmente já ouviu falar em olho seco, blefarite, terçol e calázio. Mas sabia que essas condições, aparentemente diferentes, costumam ter uma mesma origem?
A causa de todas essas doenças oftalmológicas está relacionada a pequenas estruturas localizadas nas pálpebras (que a maioria das pessoas nem sabe que existem): as glândulas de Meibômio.
Essas glândulas funcionam como uma espécie de “fábrica de óleo” dos olhos. Elas produzem uma camada lipídica que faz parte da lágrima e tem uma função essencial: impedir que ela evapore rapidamente, para manter a nutrição e a lubrificação da superfície ocular.
Conheça melhor as glândulas de Meibômio
Imagine uma fileira de pequenas glândulas trabalhando diariamente para manter seus olhos confortáveis. Sabe onde elas ficam? As glândulas meibomianas se localizam nas margens das pálpebras.
Cada pessoa tem cerca de 25 a 40 glândulas na pálpebra superior e 20 a 30 na inferior
Ou seja, cada olho possui aproximadamente 50 a 70 glândulas de Meibômio trabalhando continuamente para proteger a superfície ocular.
Essas glândulas não são visíveis a olho nu. Mas, em microscópios ou em aparelhos oftalmológicos, elas ficam alinhadas e se parecem como pequenos tubos. Elas trabalham continuamente para produzir e secretar o meibum, uma substância oleosa que forma a camada externa do filme lacrimal.
Toda vez que piscamos, as glândulas meibomianas liberam o meibum. Portanto, as piscadas funcionam como uma espécie de “bomba” que ajuda no processo de secreção desse sebo.
Portanto, agora que você conheceu um pouco melhor essas glândulas, foi possível entender que apesar de invisíveis a olho nu, são cruciais para a saúde ocular.
Como problemas nas glândulas de Meibômio afetam a saúde dos olhos
O funcionamento das glândulas meibomianas depende de uma série de fatores. Sendo assim, há condições que podem levar à chamada Disfunção das Glândulas de Meibômio (DGM).
A DGM é um processo inflamatório crônico que pode desencadear uma série de condições. A inflamação afeta a quantidade e a qualidade do meibum. Portanto, o filme lacrimal fica menos estável e sem a camada lipídica, não consegue proteger a superfície ocular. Além disso, a lágrima evapora mais rápido.
Entre as consequências da DGM estão:
- Síndrome do Olho Seco Evaporativo;
- Blefarite (inflamação crônica das margens palpebrais);
- Calázio e terçol de repetição.
Sinais e sintomas variam de acordo com a condição
A blefarite e o olho seco são doenças crônicas. Ou seja, não tem cura. Já o terçol e o calázio são condições passageiras. Por outro lado, na presença da DGM, o paciente apresenta episódios recorrentes dessas doenças.
Blefarite
- Inchaço e vermelhidão nas margens palpebrais;
- Coceira;
- Perda de cílios;
- Crostas na borda dos cílios que se parecem com “caspas”;
- Secura e irritação nos olhos.
Olho Seco
- Ressecamento na superfície ocular;
- Coceira;
- Ardência;
- Irritação;
- Visão turva;
- Desconforto visual;
- Fotofobia.
Lembre-se: Blefarite, olho seco, terçol e calázio de repetição são apenas o sinal de que há um mau funcionamento das glândulas de Meibômio.
Por que os tratamentos tradicionais nem sempre resolvem?
Durante muito tempo, o tratamento tinha como objetivo aliviar os sintomas dessas doenças. Entre as opções terapêuticas estão colírios, compressas mornas e alguns medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios.
Contudo, quando o problema reside na inflamação crônica das glândulas meibomianas, nem sempre esses tratamentos funcionam. Enquanto essa inflamação persiste, o ciclo tende a se repetir.
Luz Intensa Pulsada: tratamento que age na origem do problema
Nos últimos anos, a Luz Intensa Pulsada (IPL) tem ganhado destaque justamente por atuar em mecanismos que participam da origem de doenças como olho seco e blefarite.
O tratamento com a IPL atua diretamente na causa: a inflamação crônica das glândulas meibomianas.
Como?
A luz pulsada é uma energia térmica que quando aplicada, tem os seguintes efeitos:
- Cauterização dos vasos sanguíneos anormais que alimentam o processo inflamatório;
- Amolecimento das secreções endurecidas nos ductos das glândulas;
- Eliminação de ácaros e bactérias, normalmente presentes nesses pacientes.
Como funciona o tratamento com a IPL?
- O tratamento completo consiste na aplicação da IPL – 3 a 4 sessões – com intervalo de 15 dias entre elas;
- A aplicação acontece no consultório, sendo rápida e indolor. O paciente retoma suas atividades imediatamente após a sessão;
- A melhora dos sintomas já pode ser percebida nas primeiras semanas;
- Recomenda-se uma sessão anual para manutenção.
Melhora do sintomas em longo prazo
A IPL é altamente eficaz no tratamento da blefarite, do olho seco, do terçol e do calázio de repetição. A melhora dos sintomas ocorre em longo prazo, o que é chamado de remissão, pois a IPL restabelece o funcionamento das glândulas de Meibômio.
Conclusão
Como você viu, temos pequenas glândulas nas pálpebras que cumprem um papel crucial na saúde ocular. Quando há problemas nessas estruturas, podem surgir doenças como a blefarite e o olho seco.
Por isso, na presença de sintomas, procure seu Oftalmologista.
