A blefarite está presente em mais de 60% dos pacientes com dermatite seborreica, segundo dados de uma meta-análise publicada no periódico Cureus. O estudo apontou que o envolvimento ocular em pacientes com dermatite seborreica (DS) é muito comum e atinge mais da metade deles. A manifestação mais frequente é a blefarite, seguida pela conjuntivite (22%) e ceratite (8%).
Além disso, o estudo demonstrou uma associação significativa entre a gravidade da DS e a presença de sintomas oculares, indicando que manifestações oculares mais intensas tendem a ocorrer em pacientes com quadros dermatológicos mais severos.
Blefarite e dermatite seborreica: qual a relação entre essas duas doenças?
Agora vamos entender melhor como uma doença de pele pode levar às manifestações oculares. A dermatite seborreica é uma doença inflamatória que afeta a pele, especialmente as partes do corpo com alta produção de sebo.
Entre as principais regiões afetadas estão o couro cabeludo, o rosto e o tronco. A prevalência é de 1% a 5% da população, com dois picos de incidência: na infância e na vida adulta. Além disso, a dermatite seborreica é mais comum em homens do que em mulheres.
Embora a causa exata da dermatite seborreica ainda não seja totalmente compreendida, há diversos fatores que aumentam o risco de desenvolver a condição, como efeitos hormonais, disfunções no sistema imunológico e a proliferação de fungos do gênero Malassezia, que são leveduras.
E onde entra a blefarite?
A origem das manifestações oculares da dermatite seborreica é complexa, pois há vários processos envolvidos. Contudo, as leveduras do gênero Malassezia, que fazem parte da flora natural da pele, têm um papel crucial no desenvolvimento da blefarite.
Segundo a oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, essas leveduras transformam o sebo em substâncias irritantes, desencadeando uma cascata inflamatória. “Sendo assim, esses pacientes com dermatite seborreica apresentam uma desregulação importante no sistema imunológico. A maior prova disso é que há um aumento considerável de citocinas pró-inflamatórias e ativação de linfócitos T nessa população”, explica.
“Portanto, podemos afirmar que a interação entre a microbiota da pele, o metabolismo lipídico e o sistema imunológico é a base das manifestações oculares da dermatite seborreica. Por outro lado, os sintomas oculares podem variar de paciente para paciente. Há casos de sintomas mais brandos e outros mais severos, com comprometimento das pálpebras, conjuntiva e córnea”, aponta a especialista.
De qualquer forma, vale reforçar que a blefarite, caracterizada por inflamação nas bordas palpebrais, é o achado ocular mais comum nesses pacientes.
Blefarite e dermatite seborreica: da pele para os olhos
A blefarite se caracteriza por uma inflamação crônica nas margens palpebrais. O que nem todo mundo sabe é que temos diversas glândulas sebáceas nas bordas palpebrais, chamadas de glândulas de Meibômio.
“Dessa forma, a dermatite seborreica altera a produção de sebo, o que pode afetar sua qualidade e quantidade. Além disso, pode ocorrer obstrução dos ductos glandulares. Como resultado, surgem os sintomas da blefarite, que impactam diretamente a qualidade de vida do paciente”, ressalta a Dra. Tatiana.
“Caspas nos cílios” pode ser um sintoma da blefarite
Os sintomas da blefarite são:
• Inchaço e vermelhidão nas margens palpebrais;
• Coceira intensa nas pálpebras;
• Perda de cílios;
• Acúmulo de remela ao longo do dia (especialmente no canto do olho, próximo ao nariz);
• Formação de crostas (caspas nas bordas palpebrais);
• Vermelhidão no globo ocular;
• Sensação de areia nos olhos;
• Ardência e irritação ocular;
• Fotossensibilidade (sensibilidade à luz);
• Lacrimejamento (a lágrima fica mais espumosa);
• Visão embaçada.
Um dos sintomas mais característicos da blefarite, especialmente quando associada à dermatite seborreica, é a presença de “caspas” nos cílios. Na verdade, isso é resultado do acúmulo de secreção que, ao secar, se assemelha à caspa.
Como funciona o tratamento da blefarite causada pela dermatite seborreica
Há vários tipos de tratamento para a dermatite seborreica. Contudo, nem todos atuam especificamente na blefarite. Por isso, quando o paciente apresenta manifestações oculares da dermatite, é importante procurar um oftalmologista.
Atualmente, um dos tratamentos mais eficazes para levar à remissão dos sintomas da blefarite é a Luz Intensa Pulsada (IPL).
“A IPL é uma energia luminosa que, quando aplicada, se transforma em energia térmica, ou seja, em calor. Durante a aplicação, o calor é absorvido pela camada superficial das pálpebras, resultando em inúmeros efeitos”, comenta a especialista.
Efeitos da IPL
• Amolecimento das secreções endurecidas e acumuladas nas glândulas de Meibômio;
• Cauterização dos vasos sanguíneos que alimentam a inflamação;
• Redução e eliminação de micro-organismos, como ácaros Demodex, leveduras e bactérias, que costumam estar presentes nos quadros de blefarite.
Após a aplicação da luz pulsada, o oftalmologista realiza a remoção manual das secreções, promovendo a desobstrução das glândulas sebáceas das pálpebras. Assim, a IPL é fundamental para restabelecer a função das glândulas de Meibômio, melhorando a qualidade e a quantidade do sebo.
Como funciona a Luz Pulsada
• O tratamento é feito em consultório;
• Em geral, o paciente precisa de 3 a 4 sessões, com intervalos de 15 dias;
• A melhora dos sintomas já pode ser sentida nas primeiras semanas;
• O procedimento dura cerca de 30 minutos;
• O paciente pode retomar suas atividades normais após as sessões;
• Recomenda-se uma sessão anual para manutenção dos resultados.
Conclusão
“A blefarite e a dermatite seborreica possuem uma correlação muito importante. Como vimos, mais da metade dos pacientes com DS possui manifestações oculares. Por isso, na presença de sintomas de blefarite, a recomendação é procurar um oftalmologista”, finaliza a Dra. Tatiana.
Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais.
A médica atende em seu consultório no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
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