A blefarite tem relação com rosácea, embora a primeira seja uma doença ocular e a segunda uma doença dermatológica. Segundo estimativas, a rosácea afeta cerca de 10% da população, especialmente entre os 30 e 50 anos. Em cerca de 20% dos pacientes, há também manifestações oculares, como a blefarite e o olho seco.
Segundo a oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais, a rosácea é uma inflamação crônica da pele que afeta, especialmente, a parte central do rosto – bochechas, queixo, nariz e testa.
“Trata-se de uma condição multifatorial, que envolve problemas nos sistemas imunológico e neurovascular. As principais características são vermelhidão na face, vasos sanguíneos visíveis, sensibilidade na pele, episódios de rubor (quando o rosto fica subitamente vermelho) e, em alguns pacientes, desconforto ocular”.
Quando a rosácea afeta dos olhos é chamada de rosácea ocular, cuja causa é a inflamação da superfície ocular e das glândulas das pálpebras. Sendo assim, a blefarite tem relação com a rosácea, em muitos pacientes.
Por que a blefarite tem relação com a rosácea?
Uma das explicações sobre o porquê a blefarite tem relação com a rosácea é um estado inflamatório crônico, que ocorre em ambas as doenças.
“Inicialmente, a rosácea altera o sistema imunológico que pode liberar substâncias (citocinas pró-inflamatórias). Isso, por sua vez, pode piorar os sintomas da blefarite devido a piora da inflamação crônica das glândulas de Meibômio. Outro ponto é que os pacientes com rosácea apresentam um número muito alto de ácaros Demodex (D. brevis e folliculorum), principalmente nas regiões das pálpebras e cílios”, conta Dra. Tatiana.
“Dessa forma, esse proliferação descontrolada desses micro-organismos também agrava a inflamação. O motivo é que esses seres microscópicos liberam substâncias nocivas que provocam ainda mais inflamação nas pálpebras. Além disso, esses ácaros podem bloquear fisicamente a glândula meibomiana, induzindo à formação de um calázio – nódulo na pálpebra causado por obstrução e inflamação da glândula meibomiana”, acrescenta a oftalmologista.
Quando a blefarite tem relação com rosácea causa vários sintomas
Para além dos sintomas da rosácea, quando a blefarite tem relação com a rosácea, o paciente desenvolve sintomas oculares. Entre eles:
- Inchaço nas margens das pálpebras;
- Vermelhidão nos olhos e nas pálpebras;
- Sensação de corpo estranho nos olhos;
- Secura;
- Coceira;
- Ardência;
- Visão borrada;
- Perda de cílios;
- Formação de crostas na base dos cílios;
- Lacrimejamento constante;
- Vasos na conjuntiva ou nas pálpebras;
- Conjuntivite;
- Terçol e calázio de repetição.
Sintomas oculares da rosácea podem ser mais intensos do que sintomas na pele
“Acima de tudo, é importante dizer que a intensidade dos sintomas oculares da rosácea nem sempre acompanha a gravidade dos sintomas na pele. Sendo assim, é muito importante que o paciente com rosácea que apresenta as manifestações nos olhos também procure um oftalmologista para acompanhamento”, aponta Dra. Tatiana.
“Ademais, quando a rosácea ocular não é tratada e se torna crônica, pode causar problemas mais sérios na córnea (a lente natural dos olhos). Entre as complicações estão o crescimento anormal de vasos sanguíneos e inflamação crônica, o que em casos graves pode levar a cicatrizes ou até perfuração da córnea”, alerta a especialista.
Como é o tratamento da blefarite que tem relação com a rosácea
Agora, vamos falar sobre o tratamento da blefarite que tem relação com a rosácea. Atualmente, um dos tratamentos mais modernos e eficazes para ambas as condições é a Luz Intensa Pulsada (IPL). Aliás, a história da IPL para uso oftalmológico teve origem exatamente no uso da tecnologia para tratar a rosácea.
“A IPL tem um efeito térmico que ajuda a desobstruir as glândulas das pálpebras, reduz a inflamação e consegue reduzir ou até eliminar a infestação dos ácaros Demodex. Além disso, a Iuz pulsada também cauteriza os vasos sanguíneos que alimentam a inflamação. Após o término do tratamento, que consiste entre 3 a 4 sessões, há remissão dos sintomas por tempo prolongado”, ressalta Dra. Tatiana.
Vale dizer que a aplicação da luz intensa pulsada é um procedimento rápido e indolor, feito em consultório. Apesar disso, é muito importante procurar um Oftalmologista com experiência e treinamento no tratamento com a IPL.
“Como vimos, a blefarite tem relação com a rosácea em muitos pacientes. Sendo assim, quando há presença de sintomas oculares, o ideal é procurar um oftalmologista”, finaliza Dra. Tatiana.
Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais. A médica atende em seu consultório no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423
Matéria produzida pela jornalista pela Leda Maria Sangiorgio MTB 30.714 É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695.
