A blefarite, inflamação crônica nas pálpebras, pode ter relação com alterações hormonais, especialmente quando essas mudanças afetam as glândulas de Meibômio, pequenas glândulas localizadas nas pálpebras que produzem a parte oleosa da lágrima.
Quando essas glândulas não funcionam bem, a lágrima evapora mais rápido, a margem das pálpebras inflama e podem surgir sintomas como ardor, coceira, vermelhidão, sensação de areia nos olhos, crostas nos cílios, inchaço nas pálpebras e olho seco.
Por isso, a blefarite não deve ser vista apenas como “caspa nos cílios”. Ela é uma inflamação crônica das pálpebras e, em muitos casos, está ligada à disfunção das glândulas de Meibômio, como já explicado nos conteúdos da Dra. Tatiana Nahas sobre blefarite. (Tatiana Nahas)
Como os hormônios interferem nas pálpebras?
Os hormônios sexuais, como estrogênio, progesterona e testosterona, influenciam a pele, as glândulas sebáceas, a produção da lágrima e a resposta inflamatória do organismo.
As glândulas de Meibômio funcionam de forma parecida com glândulas sebáceas. Elas produzem uma secreção oleosa chamada meibum, essencial para manter a lágrima estável. Quando há desequilíbrio hormonal, essa secreção pode ficar mais espessa, escassa ou inflamada, favorecendo a obstrução das glândulas.
Estudos mostram que os andrógenos, grupo hormonal do qual a testosterona faz parte, têm papel importante na regulação das glândulas de Meibômio e na saúde da superfície ocular. Alterações nesses hormônios podem contribuir para disfunção meibomiana, olho seco evaporativo e blefarite. (PMC)
Puberdade: por que terçol, oleosidade e blefarite podem aparecer nessa fase?
Na puberdade, há um aumento importante da atividade hormonal. Isso estimula as glândulas sebáceas da pele e pode influenciar as glândulas das pálpebras.
É por isso que alguns adolescentes apresentam mais oleosidade, acne, terçol de repetição, calázio e sinais de inflamação palpebral. Em pessoas predispostas, essa fase pode favorecer o entupimento das glândulas de Meibômio e o início de quadros de blefarite.
A puberdade, portanto, pode ser um gatilho em pacientes que já têm tendência à inflamação das pálpebras.
Gravidez: as mudanças hormonais também podem afetar os olhos
Durante a gravidez, os níveis de estrogênio, progesterona, prolactina e outros hormônios sofrem grandes variações. Essas mudanças podem interferir na estabilidade da lágrima, na superfície ocular e na função das glândulas de Meibômio.
Uma revisão publicada em 2025 apontou que as flutuações hormonais da gestação podem influenciar a função meibomiana, a estabilidade do filme lacrimal e a saúde da córnea. (PMC)
Na prática, algumas gestantes podem perceber mais ressecamento ocular, ardência, sensação de areia nos olhos ou piora de sintomas prévios de blefarite. Nesses casos, a avaliação oftalmológica é importante, já que nem todos os tratamentos podem ser usados durante a gestação.
Menopausa: uma das fases de maior risco para blefarite e olho seco
A menopausa é uma das fases em que a relação entre hormônios, olho seco e blefarite fica mais evidente. Com a queda hormonal, especialmente dos andrógenos e do estrogênio, pode haver piora da qualidade da lágrima, aumento da inflamação e maior risco de disfunção das glândulas de Meibômio.
No site da Dra. Tatiana Nahas, esse tema já foi abordado em um conteúdo específico sobre blefarite na menopausa, destacando que as mudanças hormonais dessa fase podem aumentar o risco de inflamação crônica nas pálpebras. (Tatiana Nahas)
Além disso, estudos recentes associam a pós-menopausa a maior prevalência de olho seco e alterações da superfície ocular, condições que frequentemente coexistem com a blefarite. (Tatiana Nahas)
Uso de testosterona pode piorar a blefarite?
Depende do contexto. A testosterona tem papel importante no funcionamento das glândulas de Meibômio. A deficiência de andrógenos pode prejudicar essas glândulas e favorecer olho seco evaporativo.
Por outro lado, o uso indiscriminado de testosterona, especialmente em doses inadequadas ou sem acompanhamento médico, pode aumentar a oleosidade, alterar a composição das secreções e contribuir para obstrução glandular.
Ou seja: tanto a falta quanto o excesso ou uso inadequado de hormônios podem interferir no equilíbrio das pálpebras.
Esse ponto já foi abordado no site da Dra. Tatiana Nahas em conteúdos sobre uso indiscriminado de testosterona e piora da blefarite. (Tatiana Nahas)
Reposição hormonal melhora ou piora a blefarite?
Não existe uma resposta única. A terapia de reposição hormonal pode ter efeitos diferentes em cada paciente. Em algumas mulheres, pode haver melhora de sintomas relacionados ao ressecamento. Em outras, os sintomas oculares podem persistir ou até piorar, dependendo do tipo de hormônio utilizado, da dose, do tempo de uso e da predisposição individual.
Por isso, a reposição hormonal não deve ser vista como tratamento direto para blefarite. Ela deve ser indicada e acompanhada pelo ginecologista ou endocrinologista, enquanto os sintomas oculares precisam ser avaliados pelo oftalmologista.
Hormônios causam blefarite?
Não. Os hormônios podem contribuir para o desenvolvimento da blefarite. Contudo, isoladamente, não causam a condição. Além disso, as alterações hormonais podem agravar os sintomas da blefarite em quem já tem esse diagnóstico.
A blefarite é uma doença multifatorial. Além das alterações hormonais, outros fatores podem estar envolvidos, como:
- rosácea;
- dermatite seborreica;
- infestação por Demodex;
- uso inadequado de maquiagem;
- higiene palpebral insuficiente;
- idade;
- predisposição individual;
- alterações da lágrima.
Por isso, o tratamento precisa considerar a causa predominante em cada paciente.
Luz intensa pulsada: tratamento que atua na causa da blefarite
Quando a blefarite está associada à disfunção das glândulas de Meibômio, a luz intensa pulsada, também chamada de IPL, pode ser uma das abordagens mais importantes.
O tratamento com luz intensa pulsada ajuda a reduzir a inflamação, desobstruir as glândulas de Meibômio, melhorar a qualidade da camada oleosa da lágrima e diminuir a recorrência das crises. A IPL é uma opção avançada para blefarite, meibomite, olho seco evaporativo, terçol recorrente e calázio de repetição.
Em muitos casos, a IPL é associada à higiene das pálpebras, compressas mornas e lubrificantes oculares, de acordo com a avaliação médica. Veja o conteúdo completo sobre tratamento da blefarite com luz pulsada.
Em resumo: a relação dos hormônios com a blefarite existe!
As alterações hormonais da puberdade, gravidez, menopausa, uso de testosterona e reposição hormonal podem influenciar o funcionamento das glândulas de Meibômio e aumentar o risco de blefarite em pessoas predispostas.
O ponto central é entender que a blefarite não é apenas uma irritação superficial. Ela pode refletir uma inflamação crônica das pálpebras, ligada à qualidade da lágrima e ao funcionamento glandular.
Por isso, quando os sintomas são recorrentes, o ideal é procurar avaliação oftalmológica. A luz intensa pulsada representa uma abordagem moderna porque atua diretamente na disfunção das glândulas de Meibômio, ajudando a controlar a inflamação e a reduzir as crises de blefarite.
Perguntas frequentes sobre hormônios e blefarite – FAQ
1. Alterações hormonais podem causar blefarite?
As alterações hormonais, por si só, não causam blefarite, mas podem favorecer seu desenvolvimento ou agravar um quadro já existente. Isso acontece porque hormônios como estrogênio, progesterona e testosterona influenciam diretamente o funcionamento das glândulas de Meibômio, responsáveis pela produção da camada oleosa da lágrima. Quando essas glândulas passam a funcionar mal, aumenta o risco de inflamação nas pálpebras, olho seco e blefarite.
2. Por que a blefarite é mais comum durante a menopausa?
Na menopausa ocorre uma queda natural dos hormônios sexuais, especialmente dos andrógenos e do estrogênio. Essa mudança pode reduzir a produção e alterar a qualidade da secreção das glândulas de Meibômio, favorecendo a evaporação da lágrima, a inflamação das pálpebras e o aparecimento de sintomas como ardor, vermelhidão, sensação de areia nos olhos e olho seco.
3. A puberdade pode aumentar o risco de blefarite?
Sim. Durante a puberdade, o aumento da atividade hormonal estimula as glândulas sebáceas do organismo, incluindo as glândulas de Meibômio. Em adolescentes predispostos, isso pode favorecer o entupimento dessas glândulas e aumentar o risco de blefarite, terçol e calázio de repetição.
4. A gravidez pode piorar a blefarite?
Pode. As intensas mudanças hormonais da gestação podem alterar a composição da lágrima e o funcionamento das glândulas de Meibômio. Algumas gestantes percebem aumento do ressecamento ocular, sensação de areia nos olhos, ardor ou piora de sintomas de blefarite. Como alguns tratamentos não são indicados durante a gravidez, a avaliação pelo oftalmologista é fundamental.
5. O uso de testosterona pode provocar blefarite?
O uso de testosterona pode interferir no funcionamento das glândulas de Meibômio, principalmente quando ocorre sem indicação médica ou em doses inadequadas. O excesso hormonal pode alterar a produção da secreção dessas glândulas e favorecer processos inflamatórios. Por isso, qualquer alteração ocular durante o uso de hormônios deve ser investigada pelo oftalmologista.
6. A reposição hormonal melhora a blefarite?
Não necessariamente. A terapia de reposição hormonal não é considerada um tratamento para blefarite. Algumas pacientes podem apresentar melhora dos sintomas de olho seco, enquanto outras não percebem benefício ou continuam apresentando inflamação das pálpebras. Os efeitos dependem do tipo de hormônio utilizado, da dose, das características individuais e da causa da blefarite.
7. Como saber se minha blefarite tem relação com alterações hormonais?
A suspeita costuma surgir quando os sintomas aparecem ou pioram durante fases de grande mudança hormonal, como puberdade, gravidez, menopausa ou após o início de tratamentos hormonais. Entretanto, somente uma avaliação oftalmológica pode identificar se a principal causa é a disfunção das glândulas de Meibômio ou se existem outros fatores associados, como rosácea, dermatite seborreica ou infestação de ácaros Demodex nas pálpebras.
8. Quais são os sintomas da blefarite causada por disfunção das glândulas de Meibômio?
Os sintomas mais comuns incluem ardor, coceira, vermelhidão nas pálpebras, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento, visão que oscila ao longo do dia, sensibilidade à luz, secreção espessa e formação de crostas na base dos cílios. Em muitos pacientes, esses sintomas vêm acompanhados de olho seco.
9. A luz intensa pulsada pode tratar a blefarite relacionada aos hormônios?
Sim, desde que a blefarite esteja associada à disfunção das glândulas de Meibômio. A luz intensa pulsada não modifica os níveis hormonais, mas trata as alterações que eles podem causar nas pálpebras. O procedimento reduz a inflamação, melhora o funcionamento das glândulas, favorece a qualidade da lágrima e ajuda a diminuir a frequência das crises de blefarite.
10. A blefarite tem cura?
A blefarite é considerada uma doença crônica, mas pode ser controlada com tratamento adequado. Os objetivos são controlar a inflamação, melhorar o funcionamento das glândulas de Meibômio e aliviar os sintomas. Medidas como higiene das pálpebras, tratamento do olho seco e, em muitos casos, a luz intensa pulsada ajudam a reduzir significativamente as crises e melhorar a qualidade de vida.
Sobre Dra. Tatiana Nahas – CRM 113070 SP – RQE 74945
Dra. Tatiana Rizkallah Nahas é médica Oftalmologista especialista em Cirurgia Plástica Ocular (Oculoplástica) e Vias Lacrimais.
Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Também é membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) e da Sociedade Panamericana de Oculoplástica.
Dra. Tatiana Nahas atende em seu consultório particular, localizado no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Suas cirurgias são geralmente realizadas em hospitais renomados, como Sírio Libanês Albert Einstein.
Formada pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, onde também fez sua residência em Oftalmologia. Dra. Tatiana concluiu sua segunda especialização em Cirurgia Plástica Ocular na USP.
Foi membro da equipe do Setor de Plástica Ocular do Wilford Hall Medical Center, serviço de referência em Oftalmologia nos Estados Unidos.
Dra. Tatiana Nahas também participa como palestrante em diversos Congressos na área de Oftalmologia, além de ministrar cursos de formação para médicos e especialização para oftalmologistas. Possui ainda diversos artigos publicados e atuou como Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo durante 8 anos.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423
Referências
Wang LX, Deng YP. Androgen and meibomian gland dysfunction: from basic molecular biology to clinical applications. Int J Ophthalmol. 2021 Jun 18;14(6):915-922. doi: 10.18240/ijo.2021.06.18. PMID: 34150548; PMCID: PMC8165631.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8165631/
Rhee MK, Yeu E, Barnett M, Rapuano CJ, Dhaliwal DK, Nichols KK, Karpecki P, Mah FS, Chan A, Mun J, Gaddie IB. Demodex Blepharitis: A Comprehensive Review of the Disease, Current Management, and Emerging Therapies. Eye Contact Lens. 2023 Aug 1;49(8):311-318. doi: 10.1097/ICL.0000000000001003. Epub 2023 Jun 2. PMID: 37272680; PMCID: PMC10351901. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37272680/
Eberhardt M, Zeppieri M, Rammohan G. Blepharitis. 2025 Feb 3. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan–. PMID: 29083763. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29083763/
