A ptose palpebral é uma doença oftalmológica em que ocorre a queda da pálpebra. Há vários tipos de ptose, sendo a congênita a mais comum. Em geral, o tratamento é cirúrgico.
Para falar um pouco mais sobre o que é ptose pálpebra e como funciona o seu tratamento, hoje vamos entrevistar a oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, especialista em Plástica Ocular.
Ptose palpebral ocorre por problemas nos músculos oculares
Primeiramente, é importante dizer que a ptose palpebral pode atingir pessoas de todas as idades. Além disso, geralmente afeta uma das pálpebras, que pode ser a superior ou a inferior.
Segundo Dra. Tatiana, a ptose palpebral ocorre devido ao mau funcionamento do músculo levantador. “Desse modo, esse músculo, que é responsável pelos movimentos de abrir e fechar os olhos, começa a apresentar problemas para desempenhar suas funções. A partir disso, a pálpebra sobre uma queda. Em geral, as quedas podem ser pequenas, mas há casos em que há fechamento total da fenda palpebral”.
Sinais e sintomas da ptose palpebral
Para além do principal sinal, que é a queda aparente da pálpebra, podem ocorrer outros sintomas, como:
- Ardência nos olhos;
- Coceira;
- Irritação;
- Dificuldades para enxergar, bem como para fechar os olhos;
- Olho seco (devido ao fato de que piscar é crucial para lubrificação da superfície ocular)
Tipos de ptose palpebral – O que você precisa saber
“Inicialmente, temos a ptose palpebral congênita que é o tipo de ptose mais prevalente. Sendo assim, a ptose congênita é aquela que está presente desde o nascimento. Por outro lado, vale ressaltar que a ptose palpebral congênita é uma condição rara, dentro da população em geral. Além disso, os dados de prevalência podem variar, de acordo com inúmeros fatores”, comenta Dra. Tatiana.
Segundo estudos, a incidência da condição ocorre em aproximadamente 1 em cada 842 nascimentos.
Ptose palpebral congênita precisa de tratamento precoce
Agora vamos falar um pouco mais sobre a ptose na infância. “Em geral, a ptose congênita pode afetar uma das pálpebras, mas pode ser bilateral. Adicionalmente, pode ocorrer de forma isolada ou em associação com outra condição ou síndrome. Embora não exista um consenso sobre a origem dessa ptose em crianças, uma das causas mais comuns é a distrofia do Músculo Elevador da Pálpebra Superior (MEPS)”, aponta Dra. Tatiana.
“Outra condição comum em que há a presença da ptose palpebral é a blefarofimose. Trata-se de uma deformidade congênita em que acontece uma diminuição da fenda palpebral. Além disso, temos a presença de uma tríade clássica, ou seja, outros sinais como o epicanto, telecanto e ptose palpebral. Por fim, a ptose palpebral congênita pode ter relação com defeitos neurogênicos, como a síndrome de Horner congênita e a síndrome de Marcos Gunn”, diz a médica.
Leia mais sobre a síndrome de Marcos Gunn aqui.
Além de a ptose palpebral congênita ser a mais comum entre as ptoses, é a que mais pode causar prejuízos. Isso porque a visão se desenvolve na infância e, em muitos casos, a queda da pálpebra leva a uma privação do estímulo visual. Por esse motivo, as crianças com ptose palpebral apresentam maior risco de desenvolver a ambliopia, mais conhecido como olho preguiçoso.
Portanto, é crucial que a criança com ptose palpebral congênita receba acompanhamento oftalmológico regular. Em relação ao tratamento, a ptose congênita deve ser corrigida por meio de cirurgia.
Ptose palpebral adquirida – Conheça melhor as outros tipos de ptose
Ptose palpebral neurogênica
Bem, esse tipo de ptose tem relação com lesões no nervo oculomotor ou ainda na via simpática ocular. Em outras palavras, as lesões que afetam o sistema que controla as ações espontâneas do corpo, como o ato de piscar. Diante disso, essa forma de ptose é mais prevalente em pacientes com doenças e síndromes genéticas, como a esclerose múltipla, síndrome de Horner e Marcus Gunn.
Ptose Miogênica
A ptose miogênica ocorre quando há degeneração progressiva da junção neuromuscular do músculo levantador. Ou seja, acontece um problema entre o músculo e o nervo. Com isso, o músculo levantador enfraquece e leva à queda da pálpebra. Em geral, doenças como miastenia gravis e miopatia ocular podem levar à ptose miogênica.
Ptose Mecânica
A ptose mecânica acontece quando a pálpebra começa a pesar devido a algum fator externo. Em geral, as causas são tumores, calázio, lentes de contato e cicatrizes nas pálpebras.
Ptose Aponeurótica
A ptose aponeurótica tem relação com danos na membrana que envolve o músculo levantador, cujo nome é aponeurose. Sendo assim, essa é a ptose palpebral mais comum em pessoas a partir dos 60 anos, já que está associada ao processo natural do envelhecimento. Contudo, também tem relação com traumas ou ainda pode ser resultada de uma complicação pós-operatória de cirurgias oculares.
Ptose Traumática
Como o próprio nome diz, a ptose traumática ocorre por trauma direto ou indireto no músculo levantador das pálpebras.
Como a ptose afeta a visão
Primeiramente, é importante dizer que nem todas as pessoas irão apresentar problemas de visão devido à ptose. “Contudo, em pacientes que apresentam uma queda muito grande da pálpebra, a dificuldade visual pode acontecer. Para além disso, a pessoa vai fazer um esforço maior para conseguir enxergar. Como resultado, podem surgir outros sintomas, como dor de cabeça e cansaço visual”, comenta Dra. Tatiana.
Excesso de pele é diferente de ptose palpebral
Uma dúvida comum entre os pacientes é sobre a diferença entre o excesso de pele a ptose palpebral. Bem, quando a pálpebra fica mais pesada devido ao excesso de pele, ocorre a dermatocaláze. Em contrapartida, algumas pessoas podem desenvolver as duas condições juntas.
Diagnóstico e tratamento da queda palpebral
“Normalmente, o diagnóstico da ptose nas pálpebras é complexo e deve ser feito por um oftalmologista especialista em pálpebras e anexos palpebrais, de preferência. Contudo, em muitos casos pode ser preciso consultar outros especialistas, como neurologistas e neuroftalmologista. Já o tratamento costuma ser cirúrgico, mas nem todas as ptoses possuem essa indicação”, finaliza Dra. Tatiana.
Por fim, vale ressaltar que o ideal é que a cirurgia de ptose seja realizada por um oculoplasta, médico oftalmologista especialista nesse tipo de procedimento. Isso porque é um profissional que temprofundo conhecimento sobre a dinâmica das pálpebras e sobre as necessidades de proteção dos olhos e da visão.
Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais. A médica atende em seu consultório no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423
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