Se você sofre com olhos vermelhos, ardência, sensação de areia nos olhos, visão embaçada que melhora ao piscar ou episódios frequentes de terçol e calázio, talvez já tenha ouvido falar da Luz Intensa Pulsada (IPL). Nos últimos anos, essa tecnologia se tornou um dos principais tratamentos para a blefarite, a disfunção das glândulas de Meibômio (DGM), o olho seco evaporativo e outras doenças inflamatórias das pálpebras.
Embora seja bastante conhecida na dermatologia para tratamentos estéticos, como rejuvenescimento da pele e rosácea, a Luz Intensa Pulsada também conquistou espaço na oftalmologia por atuar diretamente em alguns dos mecanismos responsáveis pela inflamação crônica das pálpebras. Quando indicada corretamente, ela pode melhorar a qualidade da lágrima, reduzir os sintomas do olho seco e diminuir a frequência das crises de blefarite e de calázio de repetição.
Mas ainda existem muitas dúvidas sobre esse tratamento. Afinal, a Luz Intensa Pulsada é um laser? Como ela funciona? O procedimento dói? Quantas sessões são necessárias? Quem pode fazer e quais são os resultados esperados?
Neste artigo, você encontrará respostas baseadas em evidências científicas para as principais perguntas sobre a IPL, entenderá como ela age nas doenças da superfície ocular e descobrirá por que essa tecnologia se tornou uma importante aliada no controle da blefarite e do olho seco.
O que é a Luz Intensa Pulsada (IPL)?
A Luz Intensa Pulsada (Intense Pulsed Light – IPL) é uma tecnologia que emite flashes de luz de alta intensidade em diferentes comprimentos de onda. Ao atingir a pele, essa energia luminosa é absorvida por estruturas específicas, sendo convertida em calor e desencadeando efeitos terapêuticos que ajudam a controlar processos inflamatórios e melhorar o funcionamento das glândulas das pálpebras.
Na oftalmologia, a IPL é utilizada principalmente no tratamento da disfunção das glândulas de Meibômio (DGM) — a principal causa do olho seco evaporativo — além da blefarite, da rosácea ocular e de alguns casos de calázio e terçol de repetição.
É importante destacar que a IPL não substitui os cuidados diários, como a higiene das pálpebras ou o uso de medicamentos quando indicados. Ela faz parte de um plano terapêutico individualizado, elaborado pelo oftalmologista de acordo com a causa e a gravidade da doença.
Luz Intensa Pulsada é a mesma coisa que laser?
Não. Apesar de ambos utilizarem energia luminosa, a Luz Intensa Pulsada (IPL) e o laser são tecnologias diferentes e têm características distintas.
A IPL usa uma lâmpada que emite um flash de luz policromática (de uma única cor), num amplo espectro de comprimento de onda, o que a torna diferente da tecnologia do laser.
A luz emitida propaga-se em várias direções e pode ser ajustada, com o uso de filtros, para ajudar no controle dos comprimentos da onda. Essa energia luminosa se transforma em energia térmica quando os fótons (partículas que compõem a luz e transportam energia) são absorvidos pela pele, processo chamado de fototermólise.
A IPL tem várias aplicações na medicina. Na área da Oftalmologia, existem filtros específicos para o tratamento de condições como a blefarite, olho seco, terçol e calázio de repetição e meibomite.
IPL × Laser: quais são as diferenças?
| Luz Intensa Pulsada (IPL) | Laser |
| Emite flashes de luz em diferentes comprimentos de onda. | Emite luz em um único comprimento de onda. |
| Atua em diferentes estruturas-alvo. | Atua em um alvo específico, com alta precisão. |
| É utilizada para controlar processos inflamatórios e melhorar a função das glândulas de Meibômio. | Possui diversas aplicações médicas e cirúrgicas, dependendo do tipo de laser. |
| Não realiza cortes nem remove tecidos. | Alguns tipos de laser podem cortar, vaporizar ou remodelar tecidos. |
Então por que muitas pessoas chamam a IPL de “laser”?
Isso acontece porque ambos utilizam luz como forma de tratamento e, para quem não está familiarizado com as tecnologias, é comum que sejam confundidos. No entanto, do ponto de vista técnico, a Luz Intensa Pulsada não é um laser.
Essa diferença é importante porque os mecanismos de ação, as indicações e os objetivos terapêuticos são distintos. No caso da blefarite e do olho seco evaporativo, a IPL foi desenvolvida para atuar sobre processos inflamatórios e melhorar a qualidade da secreção produzida pelas glândulas de Meibômio, e não para substituir procedimentos cirúrgicos ou tratamentos realizados com diferentes tipos de laser.
| Você sabia? Embora a IPL tenha se tornado conhecida pelos tratamentos estéticos, como rejuvenescimento facial e rosácea, observou-se que muitos pacientes tratados apresentavam melhora dos sintomas de olho seco. Essa observação levou ao desenvolvimento de protocolos específicos para a oftalmologia e estimulou diversas pesquisas científicas sobre sua eficácia no tratamento da blefarite e da disfunção das glândulas de Meibômio. |
Como a Luz Intensa Pulsada (IPL) funciona?
Para entender como a Luz Intensa Pulsada funciona, primeiro é preciso conhecer a principal causa do olho seco evaporativo e da maioria dos casos de blefarite: a disfunção das glândulas de Meibômio (DGM).
As glândulas de Meibômio ficam localizadas nas pálpebras e produzem uma substância oleosa chamada meibum. Essa gordura forma a camada mais externa da lágrima e tem uma função essencial: reduzir a evaporação do filme lacrimal, mantendo a superfície dos olhos lubrificada e protegida.
Quando essas glândulas ficam obstruídas ou inflamadas, o meibum torna-se mais espesso e deixa de ser liberado adequadamente. Como consequência, a lágrima evapora mais rapidamente, favorecendo sintomas como ardência, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento excessivo e visão embaçada que melhora ao piscar.
Além disso, instala-se um ciclo inflamatório: a obstrução das glândulas aumenta a inflamação das pálpebras, que por sua vez piora ainda mais o funcionamento dessas glândulas. Sem tratamento, esse ciclo tende a se perpetuar.
É justamente nesse ponto que a Luz Intensa Pulsada atua. Ao emitir flashes de luz cuidadosamente controlados sobre a pele ao redor das pálpebras, a IPL produz um aquecimento terapêutico capaz de desencadear diversos efeitos benéficos ao mesmo tempo.
Entre os principais mecanismos de ação da IPL estão:
- Fluidificação do meibum: o calor ajuda a tornar a secreção das glândulas de Meibômio menos espessa, facilitando sua saída e desobstruindo os ductos.
- Redução da inflamação: a IPL diminui a atividade de pequenos vasos sanguíneos dilatados (telangiectasias), comuns na blefarite e na rosácea ocular. Esses vasos liberam mediadores inflamatórios que perpetuam a doença.
- Melhora da qualidade da lágrima: com as glândulas funcionando melhor, a camada lipídica do filme lacrimal torna-se mais estável, reduzindo a evaporação da lágrima.
- Redução da carga de Demodex e microrganismos: estudos sugerem que a IPL pode diminuir a quantidade de ácaros Demodex e de alguns microrganismos associados à inflamação das pálpebras, contribuindo para o controle da blefarite em pacientes selecionados.
- Estimulação da recuperação dos tecidos: a energia luminosa também promove efeitos biológicos que favorecem a reparação tecidual e ajudam a restaurar o equilíbrio da superfície ocular.
Após cada sessão, é comum que o oftalmologista realize a expressão das glândulas de Meibômio, um procedimento que remove a secreção acumulada e potencializa os efeitos da IPL.
A IPL trata apenas os sintomas?
Não. Esse é um dos grandes diferenciais da Luz Intensa Pulsada.
Enquanto colírios lubrificantes aliviam temporariamente os sintomas do olho seco, a IPL busca atuar sobre uma das principais causas da doença: o mau funcionamento das glândulas de Meibômio. Por isso, quando bem indicada e associada aos demais cuidados recomendados pelo oftalmologista, ela pode proporcionar uma melhora mais duradoura da qualidade da lágrima e do conforto ocular.
Quais doenças podem ser tratadas com a Luz Intensa Pulsada (IPL)?
Embora muitas pessoas associem a Luz Intensa Pulsada apenas aos tratamentos estéticos, na oftalmologia ela se tornou uma importante ferramenta para o tratamento de doenças inflamatórias da superfície ocular, especialmente aquelas relacionadas ao mau funcionamento das glândulas de Meibômio.
As principais indicações incluem:
Blefarite
A blefarite é uma inflamação crônica das pálpebras que pode causar vermelhidão, coceira, ardor, descamação na base dos cílios e sensação constante de irritação nos olhos.
Nos casos em que a blefarite está associada à disfunção das glândulas de Meibômio — situação bastante frequente — a IPL pode ajudar a controlar a inflamação, melhorar a qualidade da secreção das glândulas e reduzir a frequência das crises.
Disfunção das glândulas de Meibômio (DGM)
A DGM é considerada a principal causa do olho seco evaporativo. Quando essas glândulas deixam de produzir uma camada lipídica de boa qualidade, a lágrima evapora rapidamente e a superfície ocular perde sua proteção natural.
Como a IPL atua diretamente sobre o funcionamento dessas glândulas, ela é uma das terapias mais utilizadas para pacientes com DGM moderada ou grave.
Olho seco evaporativo
Nem todo olho seco é igual. Em muitos pacientes, o problema não está na quantidade de lágrimas produzidas, mas na evaporação acelerada causada pela deficiência da camada lipídica.
Ao melhorar o funcionamento das glândulas de Meibômio, a IPL contribui para aumentar a estabilidade do filme lacrimal, reduzindo sintomas como ardência, sensação de areia, lacrimejamento excessivo e visão embaçada intermitente.
Rosácea ocular
A rosácea é uma doença inflamatória que também pode afetar os olhos e as pálpebras, provocando vermelhidão, irritação, sensação de queimação e alterações nas glândulas de Meibômio.
Como a IPL já é amplamente utilizada no tratamento da rosácea cutânea, ela também pode beneficiar pacientes com rosácea ocular, ajudando a reduzir a inflamação e melhorando a qualidade da secreção produzida pelas glândulas.
Terçol e calázio de repetição
Pacientes que apresentam episódios frequentes de terçol ou calázio muitas vezes possuem uma disfunção crônica das glândulas de Meibômio.
Nesses casos, a IPL não trata apenas o episódio agudo, mas pode reduzir a recorrência ao melhorar o funcionamento das glândulas e controlar a inflamação das pálpebras. A indicação, entretanto, deve ser individualizada pelo oftalmologista.
Importante: a Luz Intensa Pulsada não é indicada para todos os pacientes nem substitui outros tratamentos quando eles são necessários. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando a causa dos sintomas, a gravidade da doença e as características clínicas de cada pessoa.
Saiba mais: Se você quer entender melhor das doenças das pálpebras, como a blefarite, bem como o olho seco, terçol e calázio de repetição, leia os artigos sobre essas condições no nosso blog.
Blefarite – https://tatiananahas.com.br/2024/09/17/o-que-e-blefarite-sinais-sintomas-e-tratamento/
Olho Seco – https://tatiananahas.com.br/2023/09/04/sindrome-do-olho-seco/
Calázio – https://tatiananahas.com.br/2025/01/14/o-que-e-calazio-sintomas-e-tratamento/
Terçol – https://tatiananahas.com.br/2026/02/04/por-que-tenho-tercol-com-frequencia-quais-as-causas/
Quando a IPL pode ser uma opção?
Seu oftalmologista pode considerar a Luz Intensa Pulsada quando você apresenta:
- Blefarite;
- Disfunção das glândulas de Meibômio;
- Olho seco evaporativo;
- Rosácea ocular;
- Terçol recorrente;
- Calázio de repetição;
- Sintomas persistentes mesmo após tratamentos convencionais.
Embora essas condições tenham nomes diferentes, elas frequentemente estão relacionadas ao mesmo problema: a inflamação crônica das pálpebras e o funcionamento inadequado das glândulas de Meibômio. É justamente nesse ponto que a Luz Intensa Pulsada pode desempenhar um papel importante no tratamento.
Como é feita uma sessão de Luz Intensa Pulsada?
A sessão de Luz Intensa Pulsada (IPL) é realizada no consultório oftalmológico e, na maioria dos casos, dura entre 15 e 30 minutos. Trata-se de um procedimento rápido, não cirúrgico e que permite ao paciente retornar às suas atividades habituais logo após o tratamento.
Antes de iniciar a aplicação, o oftalmologista realiza uma avaliação para confirmar a indicação da IPL e ajustar os parâmetros do equipamento de acordo com as características da pele e da doença de cada paciente.
Durante o procedimento, óculos ou escudos de proteção ocular são utilizados para garantir a segurança dos olhos. Em seguida, é aplicado um gel transparente sobre a pele, semelhante ao utilizado em exames de ultrassom, para facilitar a transmissão da luz.
O equipamento emite uma sequência de flashes luminosos cuidadosamente controlados, que são absorvidos pelos tecidos e produzem o efeito terapêutico desejado.
A maioria dos pacientes descreve a sensação como pequenos estalos acompanhados de calor, semelhantes ao toque de um elástico na pele. O desconforto costuma ser leve e bem tolerado, sem necessidade de anestesia.
O que acontece depois da aplicação?
Para o efeito esperado da IPL, é crucial a expressão das glândulas de Meibômio. Esse procedimento consiste na compressão delicada das pálpebras com instrumentos específicos para remover a secreção acumulada dentro das glândulas. Como a IPL torna o meibum mais fluido, essa etapa facilita a desobstrução dos ductos e potencializa os resultados do tratamento.
Após a sessão, o paciente geralmente pode voltar à rotina normalmente. Algumas pessoas apresentam uma leve vermelhidão na pele por poucas horas, mas esse efeito costuma desaparecer rapidamente.
Quantas sessões são necessárias?
O número de sessões varia de acordo com a gravidade da doença e a resposta individual ao tratamento.
De forma geral, os protocolos costumam incluir 3 a 4 sessões, realizadas com intervalos de aproximadamente 15 a 30 dias. Para manter os resultados do tratamento, é importante realizar uma sessão anual de manutenção.
É importante lembrar que a blefarite e o olho seco são doenças crônicas. Por isso, o objetivo da IPL não é oferecer uma cura definitiva, mas controlar a doença, reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
A Luz Intensa Pulsada realmente funciona? O que dizem os estudos
Nos últimos anos, a Luz Intensa Pulsada (IPL) deixou de ser considerada uma tecnologia promissora para se tornar um tratamento respaldado por um número crescente de estudos científicos. Hoje, ela faz parte da rotina de muitos oftalmologistas especializados em doenças da superfície ocular e da plástica ocular, especialmente no tratamento da disfunção das glândulas de Meibômio (DGM), da blefarite e do olho seco evaporativo.
O interesse pela tecnologia surgiu de forma curiosa. Pacientes que realizavam sessões de IPL para tratar doenças dermatológicas, como a rosácea, relataram melhora dos sintomas de olho seco. Essa observação motivou pesquisadores a investigar os efeitos da luz intensa pulsada sobre as glândulas de Meibômio e a inflamação das pálpebras. Desde então, diversos estudos clínicos confirmaram que essa melhora não era apenas uma coincidência.
Um dos trabalhos pioneiros, publicado no Journal of Ophthalmology, demonstrou que pacientes submetidos a três sessões de IPL apresentaram melhora significativa dos sintomas, redução da inflamação das pálpebras e menor recorrência das crises de blefarite, com um excelente perfil de segurança e poucos efeitos adversos. Esses resultados contribuíram para consolidar a IPL como uma opção terapêutica para pacientes que não obtêm controle adequado apenas com higiene palpebral, lágrimas artificiais ou medicamentos tópicos.
As evidências continuam crescendo. Um estudo brasileiro publicado em 2026 na Revista Brasileira de Oftalmologia avaliou pacientes com disfunção das glândulas de Meibômio tratados com IPL e observou melhora significativa dos sintomas de olho seco e da qualidade da secreção produzida pelas glândulas, reforçando a eficácia da tecnologia no tratamento dessa condição.
A IPL substitui os tratamentos convencionais?
Não.
A higiene das pálpebras continua sendo um dos pilares do tratamento da blefarite, assim como o uso de lágrimas artificiais, compressas mornas e medicamentos quando indicados. A diferença é que, em muitos pacientes, essas medidas isoladas não conseguem controlar completamente a inflamação nem restaurar o funcionamento das glândulas de Meibômio.
Nessas situações, a Luz Intensa Pulsada atua como uma terapia complementar, tratando mecanismos da doença que dificilmente são controlados apenas com colírios ou pomadas. Quando bem indicada, ela pode reduzir a frequência das crises, melhorar a estabilidade do filme lacrimal e proporcionar um alívio mais duradouro dos sintomas.
Você sabia?
A Luz Intensa Pulsada é considerada uma das terapias com maior nível de evidência para pacientes com disfunção das glândulas de Meibômio, que é a principal causa do olho seco evaporativo. Quando associada ao diagnóstico correto e a um plano de tratamento individualizado, ela pode melhorar não apenas os sintomas, mas também a qualidade da lágrima e a função das glândulas responsáveis por proteger a superfície ocular.
Quem pode fazer a Luz Intensa Pulsada?
A Luz Intensa Pulsada (IPL) é indicada principalmente para pacientes com blefarite, disfunção das glândulas de Meibômio (DGM), olho seco evaporativo e rosácea ocular, especialmente quando os sintomas persistem apesar das medidas convencionais, como higiene das pálpebras, compressas mornas, lágrimas artificiais ou medicamentos.
No entanto, a decisão de realizar o tratamento deve ser sempre individualizada. Antes de indicar a IPL, o oftalmologista avalia a causa do olho seco, o grau de comprometimento das glândulas de Meibômio, a saúde da superfície ocular e as características da pele do paciente.
Em muitos casos, a IPL é recomendada para pessoas que apresentam:
- sensação constante de areia ou corpo estranho nos olhos;
- ardência e vermelhidão frequentes;
- lacrimejamento excessivo, principalmente ao vento ou diante de telas;
- visão embaçada que melhora ao piscar;
- blefarite;
- olho seco;
- episódios recorrentes de terçol ou calázio;
- rosácea ocular associada à inflamação das pálpebras.
Pacientes que utilizam lentes de contato e apresentam desconforto relacionado ao olho seco também podem se beneficiar do tratamento, desde que sejam adequadamente avaliados.
Existem contraindicações?
Sim. Embora a Luz Intensa Pulsada seja considerada um procedimento seguro quando realizada por profissionais capacitados e com equipamentos apropriados, ela não é indicada para todos os pacientes.
As contraindicações podem variar de acordo com o equipamento utilizado e as características individuais de cada pessoa, mas geralmente incluem:
- infecções ativas na região a ser tratada;
- feridas ou lesões abertas na pele;
- uso recente de medicamentos fotossensibilizantes (que aumentam a sensibilidade à luz);
- algumas doenças de pele desencadeadas pela exposição à luz;
- determinadas condições clínicas que devem ser avaliadas individualmente pelo médico.
Além disso, pacientes com pele muito bronzeada ou que tenham se exposto intensamente ao sol nos dias anteriores ao procedimento podem precisar adiar a sessão para reduzir o risco de alterações na pigmentação da pele.
A avaliação médica é indispensável
Osucesso do tratamento com a luz pulsada depende de um diagnóstico preciso. Exames específicos da superfície ocular e das glândulas de Meibômio ajudam o oftalmologista a identificar se a IPL é realmente a melhor opção para cada caso. Mais do que aplicar uma tecnologia, o objetivo é oferecer um tratamento personalizado, baseado na causa da doença e nas necessidades de cada paciente.
Importante: A Luz Intensa Pulsada não deve ser realizada como um procedimento estético adaptado para os olhos. Na oftalmologia, ela utiliza protocolos específicos, parâmetros cuidadosamente ajustados e equipamentos adequados para o tratamento das doenças da superfície ocular, sempre sob acompanhamento de um médico oftalmologista com experiência no protocolo de tratamento.
Cuidados antes da aplicação da luz intensa pulsada
- Evitar se expor ao sol alguns dias antes da sessão da luz pulsada;
- Uma semana antes da aplicação, não use produtos compostos por retinol, ácidos glicólico e salicílico, adstringentes e vitamina C;
- No dia sessão, a região facial deve estar limpa, sem cremes ou maquiagem.
O que fazer depois da aplicação da IPL
Assim que termina a aplicação da luz pulsada, o paciente pode retomar a sua rotina normalmente. Entretanto, existem algumas recomendações.
- Evite exposição direta ao sol, nos dois dias seguintes à aplicação. Nesse período, use óculos de sol, protetor solar e chapéu;
- Logo após a IPL, algumas pessoas com peles mais sensíveis podem apresentar vermelhidão e leve inchaço. Mas, são reações dentro da normalidade e melhoram rapidamente. Para aliviar esses desconfortos, a dica é realizar compressas frias;
- Evite maquiagens na região ocular, como lápis de olho, rímel e delineador. O ideal é esperar alguns dias para retomar o uso desses intens. Isso porque eles podem obstruir novamente as glândulas sebáceas, que se localizam nas margens palpebrais.
Mitos e verdades sobre a Luz Intensa Pulsada
Apesar de a Luz Intensa Pulsada ser cada vez mais utilizada na oftalmologia, ainda existem muitas dúvidas sobre o tratamento. A seguir, esclarecemos algumas das afirmações mais comuns sobre a IPL.
A Luz Intensa Pulsada é um tipo de laser
Mito. Embora as duas tecnologias utilizem energia luminosa, a IPL não é um laser. O laser emite um feixe concentrado em um único comprimento de onda, enquanto a Luz Intensa Pulsada trabalha com diferentes comprimentos de onda.
Na oftalmologia, a IPL utiliza flashes controlados para produzir efeitos terapêuticos na região das pálpebras, ajudando a reduzir a inflamação e a melhorar o funcionamento das glândulas de Meibômio.
A IPL serve apenas para tratamentos estéticos
Mito. A tecnologia ficou conhecida inicialmente por suas aplicações dermatológicas e estéticas. No entanto, atualmente também é utilizada em protocolos médicos para o tratamento de doenças da superfície ocular.
Na oftalmologia, suas principais indicações estão relacionadas à blefarite, à disfunção das glândulas de Meibômio, ao olho seco evaporativo e à rosácea ocular.
A Luz Intensa Pulsada pode tratar a causa do olho seco
Verdade, em casos selecionados. Nem todo olho seco tem a mesma origem. Quando o problema está associado à disfunção das glândulas de Meibômio, a IPL pode atuar sobre alguns dos mecanismos envolvidos na doença. O tratamento ajuda a reduzir a inflamação e a melhorar a qualidade da secreção oleosa que diminui a evaporação da lágrima. Entretanto, a indicação depende de uma avaliação oftalmológica, pois a IPL não é apropriada para todos os tipos de olho seco.
Uma única sessão é suficiente
Mito. O tratamento geralmente é realizado em um protocolo com várias sessões. O número e o intervalo entre elas dependem da gravidade da doença, do equipamento utilizado e da resposta de cada paciente. Além do ciclo inicial, algumas pessoas podem precisar de sessões de manutenção para preservar os benefícios ao longo do tempo.
A Luz Intensa Pulsada cura definitivamente a blefarite
Mito. A blefarite é uma doença crônica e pode apresentar períodos de melhora e de piora. A IPL ajuda a controlar a inflamação, melhorar o funcionamento das glândulas de Meibômio e reduzir a intensidade ou a frequência das crises, mas não garante uma cura definitiva. Mesmo após o tratamento, o acompanhamento oftalmológico e os cuidados diários podem continuar sendo necessários.
A IPL substitui a higiene das pálpebras
Mito. A higiene palpebral continua sendo uma parte importante do controle da blefarite. Dependendo do caso, o oftalmologista também pode recomendar compressas mornas, lágrimas artificiais, medicamentos ou outros tratamentos. A IPL deve ser entendida como parte de um plano terapêutico individualizado, e não como substituta automática de todos os demais cuidados.
A Luz Intensa Pulsada dói
Depende da sensibilidade de cada paciente. Durante a aplicação, é possível sentir calor, pequenos estalos ou uma sensação semelhante ao toque de um elástico sobre a pele. Em geral, o desconforto é leve e o procedimento é bem tolerado. A intensidade da sensação pode variar conforme os parâmetros utilizados e a sensibilidade individual.
A IPL pode prejudicar a visão
Mito, desde que o procedimento seja realizado corretamente. A aplicação oftalmológica exige proteção adequada dos olhos, parâmetros específicos e conhecimento da anatomia da região. Quando o protocolo é corretamente indicado e realizado por profissional habilitado, o tratamento apresenta um bom perfil de segurança.
Por outro lado, a área ao redor dos olhos exige cuidados especiais. Por isso, a IPL para doenças oculares não deve ser tratada como um procedimento estético comum.
Qualquer aparelho de Luz Intensa Pulsada pode ser usado nas pálpebras
Mito. Existem diferentes equipamentos, aplicadores e protocolos de IPL. O tratamento da região periocular requer tecnologia apropriada, regulagem individualizada e medidas rigorosas de proteção ocular. Não basta o aparelho emitir Luz Intensa Pulsada: é necessário que o procedimento seja adequado às características da pele, à doença diagnosticada e à área tratada.
A IPL pode reduzir episódios de terçol e calázio
Verdade. Terçóis e calázios recorrentes podem estar relacionados à obstrução e à inflamação das glândulas de Meibômio. Ao melhorar o funcionamento dessas glândulas e controlar a inflamação das pálpebras, a IPL pode ajudar a diminuir a recorrência em pacientes selecionados.
Ela não substitui, porém, a avaliação de uma lesão já instalada nem os tratamentos específicos que possam ser necessários.
Os resultados são iguais para todas as pessoas
Mito. A resposta varia conforme a causa dos sintomas, a gravidade da disfunção glandular, a presença de rosácea ou Demodex, os cuidados realizados em casa e a regularidade do acompanhamento. Por isso, os resultados não devem ser comparados de forma isolada. A indicação correta e a personalização do tratamento são fundamentais.
A IPL elimina a necessidade de colírios
Mito. Alguns pacientes podem reduzir a frequência de uso de lágrimas artificiais após a melhora da superfície ocular, mas isso não acontece obrigatoriamente em todos os casos. A necessidade de colírios, medicamentos ou outros cuidados deve ser reavaliada pelo oftalmologista de acordo com a evolução do paciente.
A Luz Intensa Pulsada pode melhorar a qualidade de vida
Verdade. Ardência, vermelhidão, sensação de areia, lacrimejamento, fotofobia e visão embaçada podem interferir no uso de telas, na leitura, no trabalho e até mesmo no uso de lentes de contato. Quando bem indicada, a IPL pode ajudar a controlar esses sintomas, melhorar a estabilidade do filme lacrimal e proporcionar mais conforto nas atividades diárias.
Em resumo
A Luz Intensa Pulsada é uma tecnologia respaldada por estudos e utilizada no tratamento de determinadas doenças inflamatórias das pálpebras e da superfície ocular. O principal fator para alcançar bons resultados é identificar corretamente a causa dos sintomas e estabelecer um plano de tratamento individualizado.
Se você apresenta sintomas compatíveis com quadros de blefarite, olho seco, terçol e calázio de repetição, procure um Oftalmologista para avaliação.
Sobre Dra. Tatiana Nahas – CRM 113070 SP – RQE 74945
Dra. Tatiana Rizkallah Nahas é médica Oftalmologista especialista em Cirurgia Plástica Ocular (Oculoplástica) e Vias Lacrimais. A médica trata casos de terçol e calázio de repetição, além de blefarite e disfunção das glândulas Meibomianas.
Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). Também é membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) e da Sociedade Panamericana de Oculoplástica.
Dra. Tatiana Nahas atende em seu consultório particular, localizado no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Suas cirurgias são geralmente realizadas em hospitais renomados, como Sírio Libanês Albert Einstein.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423
Referências e fontes:
Ruan F, Zang Y, Sella R, Lu H, Li S, Yang K, Jin T, Afshari NA, Pan Z, Jie Y. Intense Pulsed Light Therapy with Optimal Pulse Technology as an Adjunct Therapy for Moderate to Severe Blepharitis-Associated Keratoconjunctivitis. J Ophthalmol. 2019 Sep 16;2019:3143469. doi: 10.1155/2019/3143469. PMID: 31637051; PMCID: PMC6766164. [https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31637051/]
Oliveira GLS, Oliveira LPS, Oliveira SPS, Amaral DC, Andreão FF, Manso JEF, Monteiro MLR, et al. Eficácia do tratamento isolado com luz pulsada intensa aplicada diretamente nas pálpebras de pacientes com disfunção da glândula meibomiana: uma coorte retrospectiva. Rev. bras.oftalmol. 2026;85:e0037. [https://www.rbojournal.org/article/eficacia-do-tratamento-isolado-com-luz-pulsada-intensa-aplicada-diretamente-nas-palpebras-de-pacientes-com-disfuncao-da-glandula-meibomiana-uma-coorte-retrospectiva/]
