Será que o uso de telas tem relação com olho seco e blefarite, doenças que atingem a superfície ocular e as pálpebras? É o que vamos descobrir hoje nesse artigo.
Primeiramente, é importante dizer que o tempo excessivo em frente às telas de celulares, computadores e tablets já faz parte da rotina da maioria das pessoas. Mas, há um efeito silencioso que muitos desconhecem: quando estamos diante das telas, piscamos menos.
Entretanto, essa mudança, aparentemente simples, tem impacto direto na saúde ocular e está associada ao desenvolvimento de condições como síndrome do olho seco e blefarite.
Hoje vamos descobrir a relação entre telas, olho seco e blefarite.
Por que piscamos menos diante das telas?
Durante atividades que exigem atenção visual contínua — como ler, trabalhar no computador ou usar o celular — ocorre uma redução significativa da frequência de piscadas. Estudos mostram que essa queda pode chegar a 45–50% em comparação com momentos de relaxamento.
Além disso, não é só a quantidade de piscadas que muda quando estamos em frente às telas. Na verdade, ocorrem mais piscadas incompletas (quando os olhos não se fecham totalmente). Com isso, a superfície ocular fica exposta mais tempo e, como resultado, a lágrima evapora mais rápido.
Todos esses fatores contribuem para um desequilíbrio do filme lacrimal, que prejudica a superfície ocular.
Acima de tudo, é importante lembrar que não são só as telas as responsáveis pela redução das piscadas: essa diminuição também acontece em tarefas e atividades que exigem uma atenção visual contínua, como leitura, costuras e outras atividades manuais, por exemplo.
O papel essencial das piscadas (e um mecanismo que quase ninguém conhece)
Você sabia que piscar não é apenas um reflexo — é um mecanismo sofisticado de proteção ocular? A cada piscada, ocorre um processo fundamental para a saúde da superfície ocular.
Durante as piscadas, as pálpebras espalham a lágrima e, ao mesmo tempo, comprimem as glândulas sebáceas que produzem a parte gordurosa do filme lacrimal. Essa camada lipídica é crucial para manter a lubrificação e nutrição da superfície ocular.
Você sabia?
- Piscamos, em média, 15 a 20 vezes por minuto em repouso;
- Durante uma conversa, esse número pode chegar a 30 piscadas por minuto;
- Já em frente às telas, pode cair para 5 a 10 piscadas por minuto;
- Ao longo de um dia, isso representa milhares de piscadas a menos.
Como piscar menos pode levar ao desenvolvimento do olho seco?
A diminuição da frequência e da qualidade das piscadas resulta em uma menor distribuição da lágrima, falhas na reposição da camada gordurosa, aumento da evaporação e instabilidade do filme lacrimal.
Sendo assim, essas alterações no funcionamento das glândulas meibomianas pode levar ao desenvolvimento da síndrome do olho seco. Os sinais e sintomas são:
- Ardência e coceira;
- Sensação de areia nos olhos;
- Vermelhidão na conjuntiva;
- Visão turva;
- Cansaço visual;
- Secura ocular.
E qual a relação com a blefarite?
Diante disso, podemos afirmar que a conexão com a blefarite é direta — especialmente quando falamos da disfunção das glândulas de Meibômio.
Veja o que acontece:
- menos piscadas → menor estímulo das glândulas;
- menor liberação de lipídios → lágrima evapora mais rápido;
- acúmulo de secreção → inflamação da borda palpebral;
Esse processo pode levar à disfunção das glândulas de Meibômio (DGM), uma das principais causas de blefarite e olho seco evaporativo.
Telas, blefarite e olho seco: uma relação cada vez mais íntima
Você já teve a curiosidade de saber quanto tempo você passa nas telas? Bem, existem estudos sobre o assunto. O Brasil está entre os países mais conectados do mundo — e os números são impressionantes:
- O brasileiro passa, em média, mais de 9 horas por dia conectado a telas (celular, computador, TV e outros dispositivos);
- Isso representa mais da metade do tempo em que estamos acordados;
Ou seja: passamos mais tempo olhando para telas do que dormindo, em média. Portanto, a relação entre telas, olho seco e blefarite é bastante evidente.
Fatores de risco – O que você precisa saber sobre telas, olho seco e blefarite
Apesar das telas aumentarem o risco de desenvolver o olho seco e a blefarite, há outros fatores de risco. Portanto, já existe um aspecto que aumenta a chance de desenvolver essas doenças, o uso das telas pode elevar ainda mais o risco.
Entre eles estão:
- Processo natural de envelhecimento, que altera a morfologia e funcionamento das glândulas sebáceas;
- Alterações nos hormônios sexuais, como na menopausa;
- Terapia de reposição hormonal;
- Estado nutricional;
- Uso de certos medicamentos (antidepressivos, remédios para combater a acne, anti-hipertensivos);
- infecções oculares;
- Dermatite seborreica;
- Rosácea;
- Uso de lentes de contato;
- Infestação de ácaros Demodex.
Como proteger seus olhos no dia a dia
Uma vez que pode ser impossível ficar longe das telas, é preciso adotar medidas que possam proteger os olhos e prevenir doenças como olho seco e blefarite.
Algumas medidas simples ajudam a reduzir o impacto das telas:
- faça pausas regulares (regra do 20-20-20). A cada 20 minutos em frente às telas, olhe por 20 segundos para o horizonte);
- lembre-se de piscar de forma completa e piscar mais vezes em frente às telas;
- ajuste a altura da tela (ligeiramente abaixo da linha dos olhos);
- mantenha uma boa hidratação, pois isso ajuda a manter todas as mucosas do corpo hidratadas;
- procurar avaliação oftalmológica na presença dos sintomas oculares como ardência, secura, coceira etc.
Conclusão
O problema não está apenas nas telas — mas em como nos comportamos diante delas.
Piscar menos (e de forma incompleta) compromete diretamente a saúde ocular, favorecendo o desenvolvimento de olho seco e blefarite. Entender esse mecanismo é fundamental para prevenir sintomas e preservar a qualidade da visão no dia a dia.
Se você sente desconforto ocular frequente, vale investigar: muitas vezes, a solução começa com algo simples — voltar a piscar corretamente.
Quando já existe o diagnóstico de olho seco e blefarite, é possível tratar. Hoje, um dos tratamentos mais completos e eficazes para essas condições é a Luz Intensa Pulsada (IPL). Quer mais informações? Leia aqui.
Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais.
A médica atende em seu consultório no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423
