A blefarite e olho seco são duas doenças oftalmológicas, bastante prevalentes na população em geral. Contudo, é muito comum que o paciente apresente, ao mesmo tempo, as duas condições. Por isso, essas patologias são alvo de inúmeros estudos, com o objetivo de entender a relação entre elas.
Segundo a oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais, na maioria dos casos a blefarite e olho seco estão interligadas. “Muitos pacientes chegam ao consultório com sintomas característicos do olho seco. Contudo, na maioria dos casos essas manifestações também acontecem na blefarite”, comenta.
Um pouco mais sobre a blefarite
Primeiramente, vamos entender melhor o que é a blefarite. Trata-se de uma inflamação crônica nas pálpebras, geralmente associada à disfunção das glândulas de Meibômio — estruturas responsáveis por produzir a camada lipídica (oleosa) da lágrima.
“Vale lembrar que essa camada é essencial para evitar a evaporação excessiva do filme lacrimal. Quando há inflamação ou obstrução dessas glândulas, a qualidade da lágrima piora. A partir disso, surgem os sintomas”, explica Dra. Tatiana.
Segundo a organização internacional Tear Film & Ocular Surface Society (TFOS), a disfunção das glândulas de Meibômio é a principal causa de olho seco evaporativo no mundo. Portanto, para os especialistas, a relação entre blefarite e olho seco é bem estabelecida.
Precisamos falar sobre o Olho Seco
Agora, vamos falar sobre o olho seco. A condição é multifatorial e atinge a superfície ocular, especialmente a córnea e a conjuntiva. Entre as principais características do olho seco estão a instabilidade do filme lacrimal, inflamação, alterações na composição da lágrima e muito desconforto visual. Na verdade, os estudos e as evidências científicas mostram que a inflamação é tanto a causa como a consequência do olho seco”, afirma Dra. Tatiana.
Afinal: quem vem primeiro: a blefarite ou o olho seco?
Então, como já entendemos melhor o que é blefarite e olho seco, vamos descobrir o que vem primeiro. “A disfunção das glândulas de Meibômio acarreta redução da cama oleosa do filme lacrimal. Isso, por sua vez, causa uma evaporação mais rápida da lágrima e gera uma instabilidade no filme lacrimal. Portanto, esse conjunto de fatores resulta no desenvolvimento do olho seco”, aponta a oftalmologista.
Estima-se que cerca de 70% a 80% dos casos de olho seco tenham componente evaporativo relacionado à disfunção dessas glândulas meibomianas.
Por outro lado, o olho seco também agrava os sintomas da blefarite, especialmente devido ao quadro inflamatório crônico. A inflamação piora a obstrução das glândulas de Meibômio, bem como favorece a proliferação de micro-organismos, como ácaros Demodex e bactérias, de acordo com Dra. Tatiana. Portanto, isso cria um ciclo inflamatório contínuo.
O ciclo vicioso da blefarite e olho seco
Em resumo, a blefarite e olho seco são doenças que quase sempre aparecem juntas. A blefarite causa alterações na qualidade da lágrima. Isso, por sua vez, leva ao olho seco que gera mais inflamação e agrava os sintomas da blefarite. Sendo assim, o mais importante não é saber qual doença aconteceu primeiro. Acima de tudo, é preciso entender que as duas condições precisam de tratamento.
Sintomas que indicam associação entre blefarite e olho seco
- Sensação de areia nos olhos;
- Ardor ou queimação;
- Olhos vermelhos no fim do dia;
- Crostas nos cílios ao acordar;
- Visão embaçada que melhora ao piscar;
- Sensibilidade à luz.
Quando esses sintomas são recorrentes, há grande chance de envolvimento das glândulas de Meibômio.
Quem tem risco de desenvolver blefarite e olho seco?
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver tanto blefarite quanto olho seco:
- Uso excessivo de telas (piscar reduzido);
- Idade acima de 40 anos;
- Alterações hormonais;
- Doenças dermatológicas (rosácea, dermatite seborreica);
- Uso de lentes de contato;
- Ambientes com ar-condicionado.
Luz Intensa Pulsada: tratamento 2 em 1 para blefarite e olho seco
A IPL é uma energia luminosa que se transforma em energia térmica durante a aplicação. O calor é absorvido pela camada superficial das pálpebras, resultando em inúmeros efeitos. Entre eles estão:
– Amolecimento das secreções nos ductos das glândulas meibomianas;
– Cauterização dos vasos sanguíneos que alimentam a inflamação;
– Redução e eliminação de ácaros Demodex e bactérias.
Após a aplicação da IPL, o oftalmologista faz a remoção manual das secreções, levando à desobstrução das glândulas sebáceas das pálpebras. Portanto, a IPL é fundamental para restabelecer a função das glândulas de Meibômio, resultado na melhora da qualidade e da quantidade do sebo. Como resultado, também ocorre a melhora dos sintomas do olho seco.
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Conclusão
“A blefarite e olho seco são doenças que costumam aparecer juntas. Portanto, o ideal é que na presença dos sintomas, o paciente procure um oftalmologista. O tratamento é crucial, pois ambas as doenças afetam muito a qualidade de vida do paciente”, finaliza Dra. Tatiana.
A Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em doenças das pálpebras. A médica atende em seu consultório no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo e realiza o tratamento do terçol com luz pulsada.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo. Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423
