Os sinais e sintomas da blefarite, inflamação crônica que atinge as pálpebras, são vermelhidão, inchaço nas pálpebras, coceira, perda de cílios, entre outros. Contudo, um dos sinais e sintomas mais característicos da blefarite é a presença de “caspas nos cílios”.
A blefarite é uma doença que afeta bastante a qualidade de vida, sendo que sua prevalência após os 50 anos é bastante importante.
Para falarmos mais sobre os sinais e sintomas da blefarite, hoje vamos entrevistar a oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais.
Blefarite: a doença que provoca “caspas nos cílios”
Primeiramente, é importante conhecer melhor a blefarite. Trata-se de uma inflamação crônica nas margens palpebrais, que pode atingir cerca de 8,8% das pessoas com mais de 40 anos, de acordo com um estudo recente. Adicionalmente, após os 50 anos, a prevalência da blefarite aumenta, especialmente em mulheres na pós-menopausa.
De acordo com Dra. Tatiana, na maioria dos casos, a blefarite tem relação com uma disfunção nas glândulas sebáceas das pálpebras, chamadas de glândulas de Meibômio. Essas estruturas produzem e secretam o meibum, sebo que compõe a parte gordurosa da lágrima. Desse modo, o meibum é crucial para a saúde da superfície ocular, mantendo a córnea nutrida e lubrificada.
“Contudo, a blefarite pode se instalar devido a um processo crônico inflamatório nas glândulas meibomianas. Isso, por sua vez, pode resultar em alterações na quantidade ou na qualidade do meibum, desencadeando os sinais e sintomas da blefarite”, explica Dra. Tatiana.
Sinais e Sintomas da Blefarite – O que você precisa saber
Acima de tudo, o sintoma mais típico da blefarite é a presença de crostas na base dos cílios, popularmente chamadas de “caspas nos cílios”. “Desse modo, essas crostas se formam devido ao acúmulo das secreções gordurosas das glândulas meibomianas. Pela manhã, o paciente com blefarite pode acordar com os olhos grudados um no outro. Ademais, essas secreções podem grudar na pele das pálpebras, causando bastante desconforto”, comenta Dra. Tatiana.
Agora, vamos listar os principais sinais de sintomas da blefarite:
- Inchaço e vermelhidão nas margens palpebrais;
- Coceira intensa nas pálpebras;
- Perda de cílios;
- Acúmulo de remela ao longo dia (especialmente no canto do olho, próximo ao nariz);
- Formação de crostas (caspas nas bordas palpebrais);
- Vermelhidão no globo ocular;
- Sensação de areia nos olhos;
- Ardência e irritação ocular;
- Fotosssensibilidade (sensibilidade à luz);
- Lacrimejamento (a lágrima fica mais espumosa);
- Visão embaçada.
Fatores de risco da Blefarite – Mulheres são principais vítimas
Apesar de a blefarite poder afetar qualquer pessoa, inclusive crianças, a prevalência é maior em mulheres, especialmente após os 40 anos. Agora, vamos conhecer os principais fatores de risco, além da idade e gênero.
- Menopausa;
- Idade (mais prevalente após os 40 anos);
- Uso de hormônios como a testosterona;
- Ser mulher;
- Ter mais de 40 anos;
- Dermatite seborreica;
- Rosácea;
- Olho Seco;
- Infestação de ácaros Demodex.
Na presença de sinais e sintomas da blefarite, procure um Oftalmologista
Certamente, o mais importante é que na presença dos sinais e sintomas da blefarite, o paciente procure um Oftalmologista.
“Infelizmente, muitos pacientes demoram para receber o diagnóstico. Desse modo, os sinais e sintomas podem se agravar ao longo do tempo, o que dificulta o tratamento. Na verdade, a blefarite é uma doença bastante prevalente, porém desconhecida pela maioria da população. Portanto, é sempre importante aumentar o conhecimento das pessoas a respeito da doença”, aponta Dra. Tatiana.
“Bem, durante a consulta com um oftalmologista há exames que podem sugerir a presença da doença e outros que podem confirmar. Normalmente, o oftalmologista realiza um exame com uma lâmpada de fenda. Esse exame consiste no uso de uma luz de alta intensidade em conjunto com um microscópio. Sendo assim, durante esse exame conseguimos examinar as estruturas da parte da frente dos olhos, como as pálpebras, a córnea e a conjuntiva”, conta Dra. Tatiana.
“Adicionalmente, podemos fazer outros exames, como o teste de Schirmer, que nos traz informações importantes sobre a produção e a taxa de evaporação do filme lacrimal. Temos também a meibografia, exame de imagem que oferece dados e imagens com mais detalhes das estruturas glandulares e do filme lacrimal. Em geral, quem tem blefarite também apresenta a síndrome do olho seco”, complementa a médica.
Luz Intensa Pulsada para tratar a Blefarite
Enfim, a blefarite é uma doença ocular relativamente comum, porém pouco conhecida da população. O paciente pode demorar anos para receber o diagnóstico, o que pode agravar a condição e levar a outras doenças, como a síndrome do olho seco.
Mas, a boa notícia é que a introdução da IPL (Luz Intensa Pulsada) na área da Oftalmologia mudou o tratamento da blefarite.
“A IPL é uma energia luminosa que após a sua aplicação se transforma em energia térmica, ou seja, calor. A energia térmica atinge a camada superficial das pálpebras, resultando em inúmeros efeitos, como o amolecimento das secreções endurecidas nas glândulas de Meibômio. Além disso, a IPL cauteriza os vasos sanguíneos que alimentam a inflamação. Finalmente, a energia térmica reduz ou elimina a proliferação os ácaros Demodex e de bactérias, que costumam estar presentes em boa parte dos quadros de blefarite”, ressalta Dra. Tatiana.
Depois da aplicação da IPL, o oftalmologista remove, manualmente, as secreções endurecidas nas glândulas meibomianas. Portanto, a IPL é crucial para restabelecer a função das glândulas de Meibômio, resultado na melhora da qualidade e da quantidade do sebo.
Aplicação da Luz Pulsada é indolor e segura
O protocolo de tratamento da blefarite com a IPL envolve a aplicação em 3 a 4 sessões, com intervalo de 15 dias. O alívio dos sintomas já pode acontecer nas primeiras sessões. Mas, para manter a doença controlada, é crucial realizar um tratamento completo anual.
A aplicação é feita em consultório, sendo rápida e indolor. Em geral, demora cerca de 5 a 10 minutos, sendo que o paciente pode retomar sua rotina logo após a sessão.
“Enfim, o mais importante é que a IPL leva à remissão dos sinais e sintomas da blefarite em longo prazo. Isso, por sua vez, é relevante para a melhora da qualidade de vida do paciente”, finaliza Dra. Tatiana.
Dra. Tatiana Nahas é oftalmologista especialista em cirurgia plástica ocular e anexos palpebrais. A médica atende em seu consultório no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
O consultório fica na região do Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 3071-3423
Matéria produzida pela jornalista pela Leda Maria Sangiorgio MTB 30.714 É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695.
